Conflitos e resistência no Paraná

segunda-feira, 3 de setembro de 2018

NOTA DE REPÚDIO



A Rede de Pesquisadores sobre a Questão Agrária no Paraná, integrada por pesquisadores de oito universidades públicas do estado, vem a público manifestar preocupação em face do cerceamento do exercício profissional da Geógrafa e pesquisadora Márcia Yukari Mizusaki, da Universidade Federal da Grande Dourados (UFGD) por meio de ameaças motivadas pelo trabalho realizado junto às comunidades indígenas  do Município de Dourados, no Mato Grosso do Sul.
À preocupação com esse que poderia ser um ato isolado, perpetrado por indivíduos que sentem-se à vontade para atentar contra os Direitos Constitucionais da servidora e dos indígenas, soma-se o repúdio à semelhante conduta do Jornal Diário MS, veículo de imprensa investido da tarefa pública de informação graças à concessão de que desfruta. A materia "Índios ampliam invasões de propriedades em Dourados", assinada por Marcos Santos, publicada no dia 22 de agosto último, é um exercício explícito de incitação à intolerância étnica baseada na falsidade ideológica que inverte os papéis, convertendo os povos originários em invasores das terras que lhes pertencem legal e legítimamente e que ao mesmo tempo, criminaliza uma profissional no exercício igualmente legal e legítimo de sua profissão.
Isso deve ser encarado como mais um inaceitável atentado ao Estado de Direito. Viva a democracia! Aplique-se a Constituição!

segunda-feira, 27 de agosto de 2018

Militantes do MST perdem tudo em incêndio criminoso no Paraná

Após passar quatro dias na marcha Lula Livre, em Brasília, o comunicador Wellington Lenon, e sua companheira, a professora Juliana Cristina, voltaram para o pré-assentamento Herdeiros da Terra, em Rio Bonito do Iguaçu (PR), e encontraram somente os destroços do que era a casa em que moravam, destruída por incêndio criminoso.
O local ocupado é área da União, em disputa judicial com empresa madeireira, e já está em fase de transição de acampamento para assentamento. Os trabalhadores sem-terra utilizam o espaço para cultivo de alimentos, ressignificando a área que anteriormente era utilizada somente para plantação de pinus, o chamado deserto verde, que impede o crescimento de outras variedades de plantações, mas vivem cercados por seguranças armados a serviço da empresa.
Postado originalmente em: https://www.brasildefato.com.br/2018/08/17/militantes-do-mst-perdem-tudo-em-incendio-criminoso-no-parana/

terça-feira, 7 de agosto de 2018

Famílias assentadas denunciam incêndio criminoso no Paraná

O fogo já destruiu 30 hectares de preservação permanente, plantação de cana, pastagem, árvores e a horta orgânica.


1 de agosto de 2018 11h39
Por Coletivo de Comunicação do MST/Paraná
Da Página do MST


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As 25 famílias do Assentamento Santa Maria, em Paranacity-PR, que produzem leite, iogurte, açúcar mascavo e melados orgânicos, denunciam um incêndio criminoso, que já destruiu 30 hectares da área plantada.


Segundo o relato das famílias assentadas, o incêndio ocorreu no último domingo (29/07). Com a vegetação seca, o fogo se alastrou rapidamente e alcançou a plantação de cana, pastagem, árvores e da horta orgânica. Desde o último dia 24/07, as famílias vêm sofrendo com focos de incêndios que destruíram grande parte da área de preservação permanente do assentamento.



Os assentados registraram Boletim de Ocorrência e cobram das autoridades a investigação do crime e a punição dos responsáveis.










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Este era para ser um mês de comemoração, já que em julho as famílias comemoram 25 anos de conquista do assentamento, mas, segundo o assentado Jacques Pellenz, as famílias estão enfrentado com a tristeza e o prejuízo de ataques criminosos de incêndios.


“Nossa horta, que é um exemplo de produção orgânica foi queimada. Toda a nossa produção inclusive é orgânica, não utilizamos a queima. Com isso a gente calcula um prejuízo, que é de mais de R$ 500 mil, que vamos ter. Comprometendo ainda a safra do ano que vem. Pra nós é uma tristeza muito grande”, lamenta Pellenz.



A assentada e tecnóloga em agroecologia, Daniela Calza, também sente em ver o trabalho coletivo das famílias assentadas há 25 anos no local, referência em produção orgânica e agroecológica no Paraná, ser destruído por incêndios criminosos.



“Era pra gente estar comemorando os 25 anos de trabalho coletivo, que tem gerado a produção de comida limpa e saudável, sem o uso de agrotóxicos, renda e melhoria das condições de vida para os camponeses e gera trabalho paras as famílias de Paranacity. As crianças, tristes, choram e estão traumatizadas”, conta.

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Esse é o segundo ano consecutivo que o assentamento sofre com incêndios criminosos. Ano passado a reserva legal foi atacada, com pontos de incêndios, iniciados em diversos locais diferentes e de forma simultânea. Até o momento a polícia não encontrou os responsáveis.



O assentamento está localizado na região noroeste do Paraná, no local também funciona a Copavi (Cooperativa de Produção Agropecuária Vitória).



O MST repudia os incêndios criminosos e a violência contra as famílias da Copavi. Esse foi o segundo ataque com incêndio na semana em áreas de Reforma Agrária.


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*Editado por Rafael Soriano

Postado originalmente em: http://www.mst.org.br/2018/08/01/familias-assentadas-denunciam-incendio-criminoso-no-parana.html

15° Festa das Sementes em Planalto-PR, Sementes da Resistência: Compromisso das Gerações


Ocorreu mês passado dia 12 de julho, a 15° Festa das Sementes no sudoeste do Paraná, desta vez foi realizada no município de Planalto, com o tema “Sementes da Resistência: Compromisso das Gerações”. 

Um evento voltado para Agricultores Familiares com o intuito de fortificar a ideia de sustentabilidade e coletividade agrícola, abordando esses temas o pós-doutor em sociologia atuante na Universidade Federal da Fronteira Sul (UFFS), Antônio Andrioli, tendo sua palestra dentro da programação do evento, onde ocorreu das 10 horas as 11:30 da manhã.

Antônio Andrioli buscou apresentar aos agricultores presentes no evento que ser agricultor não é apenas para se visar lucro, mas sim todo um modo de vida, muito expresso em uma frase dita por ele na palestra: “Um agricultor não se tem lucro, mas sim renda, no momento em que o agricultor busca se ter lucro, ele vai ter esse lucro apenas explorando o trabalho de alguém”, e Andrioli ainda expressando-se sobre esse tal lucro explanou que para um agricultor crescer e obter mais rendimentos ele buscará ter mais terras, e se algum agricultor cresce outro irá perder.

A programação do evento foi a seguinte:
9:00 –   Animação e acolhida
9:30 –   Abertura com mística
9:45 –  Apresentação dos municípios/entidades
10:00 –  Painel: Sementes da Resistência: Compromisso das Gerações. (Antônio Andrioli – UFFS)
11:30 as 12:30 – Musica e animação
12:30–  Almoço
13:30 as 14:00 – Musica e animação
14:00 – Partilha das Sementes
15:00 – Enceramento com partilha de frutas e alimentos
                  
         O evento busca incentivar a produção orgânica, ocorrendo a troca de diferentes variedades de sementes e também plantas, onde foi aberto ao publico a distribuição das mais diversas variedades de sementes, e da participação de quem quisesse trocar ou distribuir alguma variedade de semente ou planta, a seguir a imagem do ginásio de esporte do município de Planalto a partir das 14 horas no momento da partilha das sementes.
         A festa da semente é um evento de grande significado no sudoeste do Paraná para Agricultura Familiar e para toda uma agricultura voltada à sustentabilidade, dando credibilidade, força e voz a todos os que lutam em prol de agricultura sustentável, livre de agrotóxicos e igualitária.

segunda-feira, 25 de junho de 2018

JORNADA DE PESQUISA DA QUESTÃO AGRÁRIA NO PARANÁ: PLANEJAR E REINVENTAR

Reunião do Observatório da Questão Agrária que aconteceu em Francisco Beltrão, contou com a presença professores, estudantes e pesquisadores de sete grupos de pesquisa do Paraná.

Jéssica Lozovei
Curitiba, 25 de junho de 2018

Aconteceu em Francisco Beltrão, nos dias 18 e 19 de junho a 6º Jornada de Pesquisa da Questão Agrária no Paraná. O evento foi realizado parcialmente na UNIOESTE (Campus Francisco Beltrão) e na Assesoar (Associação de Estudos Orientação e Assistência Rural), reunindo pesquisadores e alunos de sete universidades do estado, que compõem o Observatório da Questão Agrária no Paraná.
Durante a mesa de abertura, na segunda-feira, estiveram presentes a geógrafa e militante do MAB (Movimento dos Atingidos por Barragem), Lunéia de Souza e Ricardo Callegari, que é educador popular da Assesoar, A geógrafa falou sobre os impactos das barragens e construção de hidrelétricas na população, e a ausência do poder público na garantia dos direitos dessas pessoas. Callegari, que trabalha com agricultores familiares e questões relacionadas a agroecologia, mostrou o impacto do agronegócio para esses agricultores, e o impacto que isso causa na nossa saúde e meio ambiente.

Foto: Jéssica Lozovei


Durante os dois dias foram discutidos questões metodológicas e essenciais para a criação do livro e material didático que está sendo produzido em conjunto entre os grupos de pesquisa da UFPR, UEPG, UNIOESTE, UEM, UEL E UNILA. Esse material tratará da atualidade da questão agrária, movimentos sociais, gênero e educação do e no campo e está sendo produzido a partir de um projeto em parceria com CNPq/Capes. Há previsão de lançamento para 2020, e estará disponível tanto na versão online quanto impressa.

Foto: Jéssica Lozovei
            Para o encerramento do evento, houve a exibição do documentário Arpilleras: Atingidas Por Barragens Bordando a Resistência, dirigido por Adriane Canan e lançado mundialmente em 2017. Há a possiblidade de que o próximo evento do Observatório da Questão Agrária aconteça em Irati (PR), mas ainda com data e demais informações a confirmar