Conflitos e resistência no Paraná

quinta-feira, 14 de setembro de 2017

“POR DIREITOS E DEMOCRACIA, A LUTA É TODO DIA!”



“Neste ano, Grito dos Excluídos tem como tema ‘Por direito e democracia: a vida é todo dia’" /FOTO: Franciele Petry Schramm/ FONTE: Brasil de Fato, 2017.

Para a maioria dos brasileiros o dia 7 de setembro é sinônimo de descanso, porém, para outros, significa luta e resistência. A 23ª edição do Grito dos Excluídos deste ano de 2017 possui como lema “Por Direitos e Democracia a luta é todo dia”. Em várias cidades de diversos estados brasileiros, milhares de pessoas participaram do ato. No Paraná, cidades como Curitiba, Londrina e Cascavel também se mobilizaram.
Em Curitiba, cerca de 500 pessoas foram às ruas do bairro Vila Torres, com a bandeira do Brasil (tachada em cima com a inscrição “Todo poder ao povo”) e a de movimentos sociais do campo e da cidade. A concentração e saída foi em frente à Paróquia São João Batista e em seguida os manifestantes caminharam pelas do bairro e finalizaram em uma praça aos fundos do Jardim Botânico.
            O Grito é organizado por setores da Igreja Católica e movimentos sociais, tendo por objetivo denunciar o descontentamento do povo com a retirada de direitos básicos, mostrando que o povo não está apático perante os pacotes de medidas impostos pelo governo golpista de Michel Temer, como a Reforma Trabalhista e a Reforma da Previdência.
As atividades do Grito trazem consigo denúncias sobre a situação caótica pela qual alguns municípios estão passando, principalmente, após a Emenda Constitucional 95 que congela os gastos da saúde e educação. Dessa forma, a 23ª edição foi marcada pela manifestação contra os retrocessos que vêm sendo provocados por um governo que não possui nenhum compromisso com o pacto social. Dentre estes retrocessos, destaca-se a volta do país ao mapa da fome e as violências e criminalizações contra a população em situação de rua e os povos da terra (indígenas, quilombolas, camponeses). Todas essas lutas por terra e território foram denunciadas durante o Grito.
            Em entrevista para ao Brasil de Fato, o manifestante Bonfim diz que “Os estudos apontam que o Brasil já voltou para o mapa da fome, neste momento tem 14 milhões de desempregados. Nesse sentido, é com tristeza que nós estamos realizando este Grito dos Excluídos. Mas, ao mesmo tempo com esperança, porque nós estamos organizando os movimentos populares, fazendo um trabalho de base para que a gente possa fazer essa denúncia, desse ajuste fiscal, desse ataque aos direitos e ataque em todos os âmbitos, do governo federal”. 
Além disso, lembrando o respeito a diversidade, o Grito também se manifesta contra a homofobia e o machismo, os quais se encontram enraizados ao conservadorismo presente na sociedade brasileira. Isto, por sua vez, acaba sendo o responsável pela morte de jovens brasileiros, principalmente homossexuais e mulheres, que em sua maioria são pobres e negros.
            O Grito ainda denuncia o descaso com a saúde, educação, saneamento básico, reforma agrária: violações do Estado que aumentam a exclusão e favorecem os ricos. Além disso, os participantes manifestam-se gritando “FORA TEMER” em busca da liberdade e democracia, protestando contra o governo golpista que, articulado à mídia manipuladora da Rede Globo, ‘comemorou’ um ano de golpe no dia 31 de agosto de 2017.
Em nota oficial no Facebook, a Secretaria Nacional do/a Grito dos/as Excluídos/as, manifestou com contentamento que “o Grito dos/as Excluídos/as veio para dizer que o povo tem voz. E que voz! Que os ecos desses gritos possam ser escutados ao longo de muito tempo, que possam ecoar em alto volume para que nunca se esqueçam que nós, povo, temos poder. Temos as ruas! Que não deixem o Estado dormir em seu silêncio cúmplice e confortável enquanto milhares estão tendo sua dignidade ferida”.
Representantes do Projeto de Extensão Feira Agroecológica da Universidade Estadual do Centro Oeste – UNICENTRO/Campus Irati, estiveram presentes na marcha do Grito dos/as Excluídos/as em Curitiba. Neste sentido, cabe apontar que a Agroecologia contrapõe a lógica da exploração e dos monocultivos do agronegócio, bem como é uma ferramenta popular na luta pela terra, regida pelos camponeses que resistem ao longo da história.



Mística final do 23º Grito dos Excluídos em Curitiba/Foto: Franciele Petry Schramm/ FONTE: Brasil de Fato, 2017.


            Assim, com esperança em um país melhor, a 23ª edição do Grito dos/as Excluídos/as marcou o Dia da Independência com gritos de milhares de brasileiros indignados com os retrocessos do governo golpista. Entretanto, é necessário lembrar que a caminhada não termina ao fim do dia, mas que como o lema diz, a luta é todo dia.

REFERÊNCIAS:
https://www.brasildefato.com.br/2017/09/07/em-curitiba-independencia-do-pais-e-questionada-no-23o-grito-dos-excluidos/

Caroline Cordeiro Santos (Coletivo do Projeto Feira Agroecológica da UNICENTRO/campus de Irati)