Conflitos e resistência no Paraná

quinta-feira, 15 de dezembro de 2016

Neoenergia descumpre acordo e não comparece à reunião de negociação



Empresa responsável pela hidrelétrica de Baixo Iguaçu demonstra descaso com atingidos e autoridades do estado do Paraná


Fonte:MAB

No dia 23/11/2016, em reunião realizada em Curitiba (PR) com representantes de diversas instituições, foram encaminhadas propostas para retomada da negociação entre os atingidos e o consórcio responsável pela Usina Hidrelétrica (UHE) Baixo Iguaçu. Dentre os encaminhamentos estava a retirada do acampamento dos atingidos localizado em frente ao acesso do canteiro de obras da usina e reunião de negociação envolvendo todas as partes para o dia 29/11/2016.
No entanto, para revolta dos atingidos, a Neoenergia, que detém 70% do empreendimento da UHE Baixo Iguaçu não compareceu à reunião, demonstrando mais uma vez sua falta de respeito e compromisso com os acordos pré-estabelecidos. Na reunião do dia 29/11/2016, estavam presentes novamente integrantes de várias instituições, como o Arcebispo Metropolitano Dom José Peruzzo, parlamentares, Casa Civil, Ministério Público, Defensoria Pública, Copel, Conselho Nacional de Direitos Humanos, Instituto Ambiental e outros.
“E uma vergonha o que ocorreu hoje. A Neoenergia enganou todo mundo. Estão enrolando os atingidos há quase quatro anos e nos últimos meses enrolam descaradamente também os representantes do Estado, do Ministério Público, Defensoria, Igreja, parlamentares. Os atingidos cumpriram sua parte, retiraram o acampamento que durou quase 40 dias, e a empresa deu um golpe em todos os envolvidos”, explica um integrante da coordenação do MAB, que preferiu não ser identificado.
Como desdobramento da reunião do dia 29 ficou acordada uma reunião para quarta-feira 30/11, na qual a coordenação dos atingidos detalhará a pauta de reivindicações ao Diretor de Desenvolvimento de Negócios da Copel, JonelIurk. Já na próxima semana, haverá reunião com o governador do Paraná, Beto Richa, e Consórcio Empreendedor Baixo Iguaçu (Neoenergia e Copel), para definir um cronograma mínimo de compromissos para atendimento da pauta dos atingidos. O próprio governador já fez declarações públicas de que o melhor para as famílias é o reassentamento.
Para outro membro da coordenação do MAB, que também solicitou para não ser identificado, a situação dos atingidos requer uma resposta rápida do poder público. “Os atingidos cumpriram sua parte, agora está na mão do governador do estado fazer com que a empresa cumpra o que está no Plano Básico Ambiental, nas licenças e acordado em várias reuniões. De agora em diante, a responsabilidade é toda do governo e da empresa”, afirma.
Na pauta apresentada pelos atingidos constam, dentre outros pontos, a necessidade de aquisição imediata de áreas para reassentamento, reajuste no caderno de preços, condições para acompanhamento técnico das famílias e área de preservação permanente de 100 metros.
Baixo Iguaçu
A UHE Baixo Iguaçu começou a ser construída pela Odebrecht há aproximadamente três anos e meio e, quando concluída, terá uma capacidade de gerar até 350 MW de energia elétrica. O Consórcio Energético Baixo Iguaçu, dono do empreendimento, é formado pela Companhia Paranaense de Energia – Copel (30%) e, majoritariamente, pela Neoenergia, que é constituída pelo Fundo de Previdência do Banco do Brasil, Banco do Brasil e Iberdrola.
Esta última é uma multinacional espanhola que figura entre as cinco maiores companhias elétricas do mundo, com presença em 40 países. No Brasil, a empresa domina a distribuição de eletricidade a 11,5 milhões de pessoas, por meio da Coelba (Bahia), Cosern (Rio Grande do Norte), Celpe (Pernambuco) e Elektro (São Paulo).
No total, Baixo Iguaçu atingirá 1025 famílias, distribuídas entre os municípios paranaenses de Capanema, Capitão Leônidas Marques, Planalto, Nova Prata do Iguaçu e Realiza.

Texto original postado no Site do Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB).