quinta-feira, 30 de julho de 2020

5 mil famílias Sem Terra preparam doação de 200 toneladas de alimentos no PR

Produção e doações em Laranjeiras do Sul. Foto: Jaine Amorin

Por Setor de Comunicação e Cultura do MST-PR 

No Dia Internacional do Agricultor e da Agricultora Familiar, comemorado neste sábado (25), 5 mil famílias camponesas de assentamentos e acampamentos da Reforma Agrária do Paraná preparam a doação de aproximadamente 200 toneladas de alimentos. Os agricultores vivem em 20 comunidades, espalhadas em 7 cidades da região central do estado, que formam o maior complexo da Reforma Agrária da América Latina.   

A distribuição dos alimentos será voltada a moradores de bairros mais vulneráveis das cidades de Laranjeiras do Sul, Rio Bonito de Iguaçu, Quedas do Iguaçu, Espigão Alto do Iguaçu, Porto Barreiro, Goioxim, Cantagalo, e em sete comunidades da Terra Indígena Rio das Cobras, em Nova Laranjeiras. 

Produção e doações em Laranjeiras do Sul. Foto: Jaine Amorin

A diversidade de alimentos frescos, colhidos direto da roça, hortas e pomares de famílias Sem Terra, marca a diversidade da produção feita pelas famílias camponesas. Arroz, feijão, abóbora, mandioca, fubá crioulo, legumes, hortaliças e frutas vão compor a sacola de alimentos que chegará até as famílias. 

A ação faz parte da campanha nacional de solidariedade do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), que doou mais de 2.300 toneladas desde o início de abril. No Paraná, até o dia 18 de julho foram partilhadas 258 toneladas de alimentos. A iniciativa deste sábado será a maior realizada pelo movimento em um único dia. 

Mutirão de solidariedade 


União e solidariedade das famílias camponesas marcam a iniciativa, que envolve 20 comunidade, de 7 municípios: Laranjeiras do Sul, assentamentos 8 de Junho, Passo Liso, Bugre Morto, acampamento Recanto da Natureza; Nova Laranjeiras, assentamentos Xagu, Estrela, Coopcal; Porto Barreiro, acampamento Porto Pinheiro; Espigão Alto, acampamento Terceira Conquista (Solidor); Quedas do Iguaçu, assentamento Celso Furtado, Rio Perdido, e acampamentos Leonir Orback, Dom Tomás Balduíno, Vilmar Bordin, Fernando de Lara; Rio Bonito do Iguaçu, assentamentos Ireno Alves dos Santos, Marcos Freire, 10 de Maio, e acampamentos Herdeiros da Terra de 1º de Maio e Antonio Conrado. 

Ação envolve 20 comunidade de 7 municípios. Foto: Jaine Amorin

Desde o início da pandemia, acampamentos e assentamentos de Quedas do Iguaçu, Laranjeiras do Sul e Rio bonito do Iguaçu já doaram 17 toneladas de alimento.

Em Curitiba, cerca de 7.800 marmitas foram produzidas por integrantes do MST e de organizações parceiras, e distribuídas a situação de rua e moradores de bairros da periferia. As refeições são produzidas todas as quartas-feiras e tem a maioria dos ingredientes alimentos vindos de comunidades do Movimento, de várias regiões do estado. Também foram produzidas e distribuídas 600 máscaras de tecido. 

Matéria completa disponível em: https://mst.org.br/2020/07/22/5-mil-familias-sem-terra-preparam-doacao-de-200-toneladas-de-alimentos-no-pr/?fbclid=IwAR2u4QyMSvu-92aqTY1TiIy0A0q5_bJr72UngY7z_G-3NI8jjXyoC0e4D_g

sábado, 4 de julho de 2020

Comunidade do MST tem lavouras destruídas por fazendeiro e capangas no Paraná

Desde a manhã desta sexta-feira (3), dois tratores estão destruindo lavouras em fase de colheita plantadas por 50 famílias Sem Terra do acampamento Valdair Roque, de Quinta do Sol, no Paraná. A ação é executada com a presença de 14 homens, entre eles um dos proprietários da área, Víctor Vicari Rezende, e capangas armados – alguns encapuzados, segundo relatos de moradores da comunidade. O acampamento fica na Fazenda Santa Catarina, de propriedade da Usina Sabarálcool, que acumula grande passivo jurídico, com 964 ações trabalhistas somente na Comarca de Campo Mourão. 
Segundo o advogado das famílias, Humberto Boaventura, o descumprimento da função social das relações de trabalho levou o Incra a manifestar interesse na área para destinação à Reforma Agrária, conforme prevê a Constituição Federal. No mesmo sentido, desde 2018, existe uma recomendação do Ministério Público Federal para que o Incra intervenha junto a este conjunto de ações e execuções trabalhistas para adquirir e destinar a área à famílias acampadas. 
Boaventura ressalta ainda a gravidade do ataque diante do contexto de pandemia e do aumento acelerado do número de óbitos e casos da COVID-19 no Paraná. “Essa ação feita hoje, que atinge diretamente a paz social das famílias e da região, também é uma afronta às medidas de combate à pandemia que está instalada no nosso estado”. Há um decreto do Tribunal de Justiça do Paraná suspendendo os despejos por tempo indeterminado, enquanto durar a pandemia. 
A coordenação do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra cobra que a Defensoria Pública, o Ministério Público e Governo do Estado impeçam a destruição dos alimentos e da comunidade. O advogado informa que estão sendo reunidas informações e documentos para tomar medidas junto ao Poder Judiciário e Executivo estadual.  
Lavouras atacadas eram fonte de doações de alimentos
A comunidade existe desde setembro de 2015 e tem garantido produção de alimentos para o consumo das próprias famílias Sem Terra e também para doações à população da cidade, neste período em que a fome assola os lares de grande parte da população das periferias urbanas. Uma horta comunitária foi iniciada no dia dois de maio para garantir a continuidade das doações. 
Horta comunitária do acampamento Valdair Roque, no Paraná. Foto: Wilian Pires/MST-PR
Na inauguração da horta, Paulo Antonio Fagundes, coordenador do acampamento, reforçou o compromisso da comunidade em avançar na produção para conseguir ajudar as famílias que estão passando dificuldade por conta da pandemia. “Tem muita gente desempregada e está fazendo falta o alimento. Então vamos contribuir com eles, estender a mão pra que eles também tenham o alimento para o dia a dia”.
No dia sete de maio, as famílias participaram de doação de mais de uma tonelada de produtos que foram entregues à Santa Casa e ao Comitê de Apoio às Pessoas em Situação de Risco Social do campus de Campo Mourão da Universidade Estadual do Paraná (Unespar). Continuar lendo...