segunda-feira, 3 de maio de 2021

Rádio JURArt-PR - podcast da JURA Paraná 2021

Em sua  edição no estado do Paraná, a construção da JURA conquista novos contornos ao inaugurar uma articulação estadual (JURArt) entre Instituições de Ensino Superior e organizações do campo e da cidade, em prol da construção coletiva de atividades em tempos excepcionais como o atual. Com isso a Jornada Universitária em Defesa da Reforma Agrária Popular: lutas e resistência no campo e na cidade - Centenário de Paulo Freire apresenta uma programação integrada entre as diferentes instituições de ensino superior, a ser realizada entre abril e novembro de 2021.

O objetivo principal é socializar os processos de trabalho de investigação e de práxis entre os diferentes grupos que atuam diretamente com trabalhos de extensão, pesquisa e ensino no âmbito da questão agrária tendo por centralidade às vozes dos sujeitos do campo, das águas e das florestas. Atrelado a isto, também objetiva-se pensar, em tempos de pandemia, de crises generalizadas, o problema da fome, da saúde, da alimentação e da comunicação popular. Isto associado ao contínuo processo de pertencimento e de produção de novos valores e princípios mediados pela solidariedade e pela esperança como verbo transitivo.

Na busca de construir espaços de comunicação popular  envolvendo os diferentes temas em questão, a JURA-PR nesse ano, constituiu uma importante iniciativa – a Rádio da Jornada Universitária em Defesa da Reforma Agrária – Articulação Paraná, ou, Rádio JURArt-PR. 
A Rádio tem por objetivo sistematizar, difundir e dar visibilidade às vozes da classe trabalhadora que se expressam nos diferentes movimentos sociais populares do campo, das águas, florestas e da cidade; que se expressam nas diversas experiências de educação popular; nas vozes de pesquisadores e intelectuais orgânicos; nas vozes que cantam a luta e a formação social do povo brasileiro;  na arte que denuncia as mazelas sociais e seus fundamentos, na arte que anuncia a possibilidade de um novo tempo.
Na intenção de somar-se às diversas ações promovidas pela Jornada, a Rádio JURArt-PR contém em seus programas a intenção de instigar debates urgentes, de convidar ao estudo coletivo e aprofundado de temas imprescindíveis para a transformação social que desponta no horizonte.


Nos links abaixo você pode escutar os episódios já disponíveis do podcast.

https://open.spotify.com/episode/6TiHYfWWr4iGUIRRqfKNZ2?si=cJ2WpHpyRLmPHLjiY4FaTw

https://open.spotify.com/episode/2B9RERmkBlfT0ENcOHSDKj?si=3y20l3IYT1iPC6ErtJImXA

https://open.spotify.com/episode/4tyPnJDJvFx79ak0EKrwm8?si=Ujxl-8QhSVqPNWT-DHtQAA

https://open.spotify.com/episode/6EpgPi8DRGbfY2VMn7Lqu0?si=mZ7nEJORTdeOWhl74nLckw

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terça-feira, 27 de abril de 2021

O alimento como ato de resistência e esperança mantendo viva a memória de Eldorado dos Carajás

 Por Caroline Ester Moellmann*; Edson Luiz Zanchetti da Luz**; Juscelino Martins Costa Junior*** 

A data de 17 de abril é marcada pelo massacre que aconteceu em Eldorado dos Carajás (PA), no ano de 1996, quando as vidas de dezenove agricultores sem-terra foram brutalmente ceifadas. Essa chacina ocorreu quando agricultores integrantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) protestavam reivindicando a reforma agrária na região. Desde então, esta data passou a ser símbolo da luta camponesa internacional e virou lei como Dia Nacional da Luta pela Reforma Agrária (BRASIL DE FATO, 2021). 

A luta pela reforma agrária representa uma frente contra as desigualdades sociais presentes no campo e nas cidades do Brasil, e não se constitui simplesmente pela aquisição de “terra”, mas por espaços socialmente justos e com oportunidades. No ensejo de conquistar esses objetivos, o MST lançou em junho de 2020 o Plano Emergencial de Reforma Agrária Popular, que visa construir estratégias para garantir renda e condições dignas para as famílias assentadas durante a pandemia da Covid-19. 

Uma das ações realizadas pelo plano é a doação de alimentos por parte de integrantes do MST para famílias carentes e mais afetadas pela crise sanitária e econômica em todo país durante a pandemia. No final do mês de junho de 2020 já havia sido contabilizado a quantia de 232,540 toneladas de alimentos distribuídas no Paraná (MST, 2020). Após esse período já foram doadas muitas toneladas de alimento, seja diretamente para as famílias ou em parceria com outras organizações e movimentos. 

Essas ações demonstram a consciência do seu papel social por parte dos camponeses, de compartilhar com os demais o seu bem mais precioso, o alimento (ROOS, 2020). Em meio à crise que estamos vivendo, desde o início do governo Bolsonaro, intensificada com a pandemia, presenciamos um desgoverno, que pouco fez para ajudar a população, principalmente os mais necessitados. Com isso, o Brasil corre risco de voltar ao Mapa da Fome, da ONU, o que significa que há quase 10% da população com subalimentação (LIMA, 2021).  

Nesse cenário de caos, um contingente muito alto da população brasileira enfrenta a insegurança alimentar, sem garantia de que conseguirão fazer as refeições mínimas de um dia. As contribuições dos camponeses do MST têm sido imprescindíveis para muitas dessas pessoas, que entre os dias 14 e 19 de abril desse ano receberam cestas com alimentos orgânicos produzidos pela agricultura familiar e também refeições prontas.  

Essas ações fazem parte do Abril Vermelho, que ocorrem em todo o Brasil em memória aos companheiros que sofreram no massacre de Eldorado dos Carajás, há 25 anos. No Paraná, foram doadas 67 toneladas de alimentos em 13 municípios (BRASIL DE FATO, 2021). Além das doações de alimentos também foram realizados mutirões para plantio de árvores em diversos municípios e atos de manifestação em rodovias.  

Estas doações sem dúvida são um alento em meio ao caos vivido, no entanto, apesar desta grande ajuda não podemos pensar que apenas essas ações pontuais solucionarão o problema destas comunidades. Portanto necessitamos com urgência que o Estado se faça presente, que fortaleça as políticas públicas já existentes, e realize-se a Reforma Agraria como instrumento de cidadania em busca de uma sociedade mais justa e solidária. 

REFERÊNCIAS 

CINCO caminhões de alimentos para quem tem fome: Famílias doam 67 toneladas no Paraná. Brasil de Fato, 2021. Disponível em <https://www.brasildefatopr.com.br/2021/04/21/cinco-caminhoes-de-alimentos-para-quem-tem-fome-familias-doam-67-toneladas-no-parana#:~:text=Com%20as%20a%C3%A7%C3%B5es%20realizadas%20do,de%20120%20a%C3%A7%C3%B5es%20de%20solidariedade>. Acesso em 20/04/2021. 

 

DOAÇÕES de alimentos serão feitas pelo MST em 4 cidades do Paraná neste fim de semana. MST, 2020. Disponível em <https://mst.org.br/2020/06/25/doacoes-de-alimentos-serao-feitas-pelo-mst-em-4-cidades-do-parana-neste-fim-de-semana/>. Acesso em 20/04/2021. 

 

LIMA, Mário Sérgio. Inflação e pandemia podem empurrar Brasil de volta ao Mapa da Fome. CNN, 2021. Disponível em <https://www.cnnbrasil.com.br/nacional/2021/04/01/inflacao-e-pandemia-podem-empurrar-brasil-de-volta-ao-mapa-da-fome>. Acesso em 20/04/2021. 

 

MST promove coletiva de imprensa sobre 25 anos do Massacre de Eldorado do Carajás. Brasil de Fato, 2021. Disponível em <https://www.brasildefato.com.br/2021/04/15/mst-promove-coletiva-de-imprensa-sobre-25-anos-do-massacre-de-eldorado-do-carajas>. Acesso em 20/04/2021. 

 

ROOS, Djoni. Reforma Agrária Já! Solidariedade e enfrentamento à pandemia estrutural. MST, 2020. Disponível em <https://mst.org.br/2020/06/09/artigoreforma-agraria-ja-solidariedade-e-enfrentamento-a-pandemia-estrutural/>. Acesso em 20/04/2021. 


 

*Graduanda em Licenciatura em Geografia na Universidade Estadual do Oeste do Paraná (UNIOESTE), Campus de Marechal Cândido Rondon. 

**Graduado em Licenciatura em Geografia e Mestrando no Programa de Pós-Graduação em Geografia na UNIOESTE, Campus de Marechal Cândido Rondon. 

*** Engenheiro Agrônomo e Doutorando no Programa de Pós-Graduação em Desenvolvimento rural sustentável na UNIOESTE, Campus de Marechal Cândido Rondon. 

terça-feira, 23 de março de 2021

Documentário apresenta luta pela terra após construção da usina de Itaipú

Foi lançado, na sexta-feira (19), o documentário “Três Alves”, produzido pela L’avant Filmes. O filme conta a história de três irmãos indígenas da etnia Avá-Guarani que lideraram a retomada de terras perdidas pela construção de Usina Hidrelétrica de Itaipu Binacional.

A história do trio João, Pedro e Teodoro, narrada no filme com uma alegoria da diáspora guarani, é fundamental para o entendimento do processo de migração dos povos indígenas na tríplice fronteira.

Vale destacar que o processo de deslocamento dos Avá-Guarani está intrinsecamente ligado à religiosidade na busca da chamada “Terra Sem Males”. Porém, no extremo oeste paranaense, essa migração tornou-se uma questão de sobrevivência depois que grande parte das terras tradicionais foram postas sob as águas da barragem da de Itaipu.

Os Alves viviam na aldeia Ocoy Jacutinga, uma das comunidades atingidas pela formação do lago de Itaipu. Após ser desalojada, a família migrou e dispersou-se, de maneira que cada um dos três filhos montou uma nova aldeia em regiões diferentes do Paraná.

Três novos caciques em busca da Terra Sem Males. “A partir daí a tradição oral dos guarani contará sua própria história e trajetória, que ao mesmo tempo em que apresentará um drama humano contará a diáspora guarani pós-Itaipu”, explica Vander Colombo, diretor do documentário.

Segundo estudos da antropóloga Malu Brant, existiam 32 aldeias no Paraná antes do período de Itaipu, sendo que ao menos nove delas desapareceram entre 1940 e 1982, período entre a criação do Parque Nacional do Iguaçu (1939) e o alagamento para formação do lago (1982). Continuar lendo

Matéria completa e na íntegra disponível em: https://www.brasildefato.com.br/2021/03/22/pr-documentario-apresenta-luta-pela-terra-apos-construcao-da-usina-de-itaipu

sexta-feira, 15 de janeiro de 2021

Lavoura coletiva do MST gera 4 mil quilos de feijão orgânico para doação no Paraná

Cerca de 100 trabalhadores do campo e da cidade se uniram em um mutirão para colher 4.200 quilos de feijão orgânico, neste domingo (10), no assentamento Contestado, na Lapa, município no Paraná. A ação é organizada pelo Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) da região Sul do Paraná e pelo coletivo Marmitas da Terra - formado por mais de 120 voluntários de Curitiba e região. 

Em 2020, o preço do feijão teve aumento médio de 45,39% na região metropolitana de Curitiba, de acordo com pesquisa divulgada em dezembro pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). As vendas do grão caíram cerca de 35%. A estiagem e a falta de políticas públicas do governo Bolsonaro em apoio à produção de alimentos estão entre os principais fatores para o alimento custar de R$ 6 a R$ 9 nas gôndolas dos supermercados.

A várias mãos e sem agrotóxicos

A forma da produção e a destinação do alimento transformou o que poderia ter sido uma simples colheita em um dia para renovar as esperanças. Localizada em uma área cedida por famílias camponesas da comunidade, a lavoura foi plantada e cuidada a várias mãos, sem uso de agrotóxicos e a partir de mutirões com pessoas voluntárias vindas da cidade e moradores locais. O alimento colhido será partilhado com famílias em situação de vulnerabilidade e com três cozinhas comunitárias da capital.

“Só nos resta agradecer a esse coletivo por somar com a gente nestes 90 dias de trabalho, desde o plantio do feijão até o dia da colheita. Pra nós, não é simplesmente uma colheita, tem um significado muito maior, porque esse alimento é para a partilha”, garantiu Liana Franco, produtora agroecológica do assentamento Contestado e da coordenação estadual do MST, ao agradecer ao grupo de pessoas voluntárias deste domingo.

“Sem emprego e sem moradia, a gente sabe que fica muito difícil de viver”, reforçou, ao se referir à situação em que vive parcela da população. A estimativa é de que a pobreza extrema (pessoas que vivem com US$ 1,90 por dia) deve chegar a algo entre 10% e 15% da população brasileira (27,4 milhões de pessoas) neste mês de janeiro, de acordo com a Fundação Getúlio Vargas (FGV).  

Alimento colhido será partilhado com famílias em situação de vulnerabilidade e com três cozinhas comunitárias da capital / Giorgia Prates

Mutirão de solidariedade

O trabalho começou bem cedo, logo que o sol se levantou, e seguiu até o anoitecer. Camponeses acampados, assentados, estudantes, professores, advogadas, jornalistas, servidores públicos. Pessoas com diferentes idades e experiências no trabalho da roça se ajudaram nas tarefas de arrancar os pés de feijão, bater, carregar as sacas e espalhar no local para a secagem.

Marcos Antonio Pereira, integrante da coordenação do coletivo Marmitas da Terra e do MST do Paraná, avalia que a colheita ganhou sentido ainda mais forte pela diversidade de pessoas unidas na ação. “É simbólico no sentido das pessoas entenderem todo o ciclo da lavoura, acompanhar o plantio, o manejo, e agora a colheita sabendo que ela vai ter uma destinação como parte das ações de solidariedade do MST aqui no Paraná”, avalia.

Para parte do grupo do mutirão, a lida na terra é parte da luta pela Reforma Agrária e por alimentos saudáveis. Participaram integrantes dos acampamentos Maria Rosa do Contestado e Padre Roque Zimmermann, de Castro; do acampamento Emiliano Zapata, de Ponta Grossa; do acampamento Reduto de Caraguatá, de Paula Freitas; e do próprio assentamento Contestado. 

De Curitiba e região metropolitana, vieram pessoas voluntárias da ação Marmitas da Terra, que já haviam trabalhado em mutirões para cuidar da lavoura de aproximadamente 2 alqueires. Entre o grupo de voluntários urbanos, boa parte nasceu e cresceu na cidade, tem pouca experiência na lida com a terra, mas muita disposição para o trabalho e vontade de ajudar a mudar a situação de fome enfrentada por milhões de brasileiros.

É o caso de Bárbara Górski Estech, advogada e integrante do Movimento de Assessoria Jurídica Universitária Popular Isabel da Silva (Majup) da Universidade Federal do Paraná. “Fui muito bem recebida, todas as pessoas que estavam junto me ensinaram em todos os momentos. Eu consegui participar efetivamente dessa colheita que é muito importante, por ser a primeira do ano e, principalmente, é especial por ser neste momento de pandemia”, afirmou.

Do povo para o povo

Depois de colhido, o feijão segue em espaços de trabalho coletivos para virar refeições em três cozinhas comunitárias: cozinha Marmitas da Terra, organizada pelo próprio MST; cozinha da União de Moradores/as e Trabalhadores/as (UMT), localizada no Bolsão Formosa; e cozinha organizada pelo Movimento Nacional da População de Rua (MNPR), no Sindicato dos Trabalhadores dos Correios. Parte dos grãos também vai integrar as doações de alimentos feitas pelo MST na capital e região, previstas para fevereiro. 

Edição: Camila Maciel e Lia Bianchini

Matéria na íntegra disponível em https://www.brasildefato.com.br/2021/01/12/lavoura-coletiva-do-mst-gera-4-mil-quilos-de-feijao-organico-para-doacao-no-parana.