quinta-feira, 24 de novembro de 2016

Circular IX SEET I SIET


Plano de redução do Banco do Brasil afetará agricultura, afirmam movimentos rurais

Instituição é responsável por cerca de 60% do crédito rural no país


 
O plano de redução anunciado pelo Banco do Brasil (BB) e endossado pelo governo Michel Temer (PMDB) preocupa organizações de camponeses. A instituição é hoje responsável por cerca de 60% do crédito rural concedido no país. Para o Movimento dos Pequenos Agricultores (MPA), as medidas são “desastrosas” e trarão impactos negativos na economia de pequenos municípios.
A direção do BB, sob o argumento de “racionalização de recursos”, pretende fechar 31 superintendências, 402 agências e transformar outras 379 em postos de atendimento. A diferença entre as duas últimas categorias é que somente a primeira conta com gerentes. Ou seja, serão 781 estabelecimentos a menos, o que representa 14% do número hoje existente – 5.430, cifra que põe a instituição à frente de todos concorrentes.
Em relação ao número de trabalhadores, a direção do BB têm a expectativa de que cerca de 9 mil funcionários ingressem em um programa de aposentadoria voluntária. Atualmente, 18 mil pessoas se enquadram nos critérios para aderir à proposta. Na hipótese de essa totalidade de empregados decidir se aposentar, a redução seria equivalente à quantidade total de funcionários do banco HSBC no Brasil.
Para o Sindicato dos Bancários e Financiários de São Paulo, Osasco e Região, a medida vai na contramão das exigências para saída da situação econômica que o país vive.
"O desmonte do Banco do Brasil terá impacto no acesso ao crédito no país. Somente os bancos públicos aumentaram o crédito de 38% para 57% de 2008 para 2016, enquanto os privados tiveram redução de 5% nos últimos dois anos”, afirma a entidade em nota. “Essa agenda irá aprofundar a recessão na medida em que enfraquece o mercado interno e a infraestrutura social e econômica que nos fizeram avançar na última década”, completa.
O documento do sindicato ainda afirma que é urgente a criação de alternativas para a saída da crise, "que passem pela retomada da expansão do crédito para setores prioritários como moradia popular, agricultura familiar, pequenas e médias empresas etc.”.
Além disso, o plano favoreceria o setor bancário privado. “O governo Temer quer desmontar mais uma empresa pública. Quer fechar agências e reduzir postos de trabalho no BB. O oposto do que foi feito nessas empresas nos últimos 12 anos. Esse importante banco público é responsável, por exemplo, por cerca de 60% do crédito agrícola no país”, afirma a presidenta do sindicato, Juvandia Moreira.
“Esse desmonte só interessa aos bancos privados, que não terão concorrência. Em um sistema financeiro extremamente concentrado e sem os bancos públicos fortes, toda a sociedade perde”, declara Moreira.
Instituição terá 781 agências a menos, cerca de 14% do total hoje existente / Marcelo Camargo/ Agência Brasil

Agricultura

Dado o volume de crédito para o setor agrícola representado pelo Banco do Brasil, as propostas de redução preocupam movimentos populares do campo.
"O Banco do Brasil tem sido um dos parceiros fundamentais, com apoio e crédito, da agricultura camponesa. É um elemento estratégico do ponto de vista do financiamento, com juros baixos. Só os bancos públicos oferecem esse tipo de serviço", diz Anderson Amaro, da coordenação do MPA, para quem a instituição, até hoje, vinha “facilitando a produção de alimentos”.
Para ele, a expansão do BB nos últimos anos, inclusive do ponto de vista físico, foi um dos principais fatores para esse incentivo. “A capilaridade do banco avançou nos últimos anos, aumentando a disponibilidade para a agricultura como um todo”, aponta Amaro.
“O anúncio de fechamento de uma quantidade significativa de agências vai atingir todas as famílias que tinham acesso facilitado, porque estavam próximas de seu agente financeiro. Em alguns casos, terão de se deslocar quilomêtros de distância", projeta o dirigente.
Amaro lembra que, em muitas localidades do país, a atividade agrícola é o elemento fundamental de dinamismo da economia, e que tal redução terá também efeitos indiretos sobre o país. "[Essa redução] poderá impactar no PIB. A gente sabe da importância da agricultura na economia, terá um efeito cascata", diz.
"Em todo o Brasil, municípios pequenos e médios têm sua economia baseada na agricultura. A seca que ocorreu no Espírito Santo, por exemplo, teve um impacto fortíssimo sobre a economia e o comércio locais, estagnando-a. Imagine isso no próximo período, com agências fechadas? A dificuldade será dobrada", prevê.
Dado esse cenário, o dirigente afirma que o MPA, bem como os movimentos articulados em torno da Via Campesina já estão se organizando para enfrentar o plano. "O governo ilegítimo mostra sua face a cada dia. Não vamos deixar isso acontecer de braços cruzados", finaliza.

Veja a lista das agências que serão fechadas no Paraná:

Cascavel - prefixo 3289 - São Cristóvão
Curitiba - prefixo 3051 - Carlos Gomes
Curitiba- prefixo 4195- Walmart Cabral
Curitiba- prefixo 4395 - Av. Presidente Kennedy
Curitiba- prefixo 5269 - Conselheiro Laurindo
Curitiba- prefixo 6992 - Rua Mariano Torres
Curitiba- prefixo 5043 - Novo Mundo
LOndrina - prefixo 6991 - Rua Pernambuco
Maringá - prefixo 4898 - Catedral - Maringá
Maringá - prefixo 7104- Avenida Cerro Azul Maringá
Ponta Grossa - prefixo 3233- Nova Rússia

Veja a lista das agências que serão transformadas em postos de atendimento:

Contenda - prefixo 1794 - Contenda
Curitiba - prefixo 1518 - Centro Cívico
Iguaraçu - prefixo 4027 - Iguaraçu
Janiópolis - prefixo 2205- Janiópolis
Jesuítas - prefixo 4504 - Jesuítas
Londrina - prefixo 5047 - Avenida Maringá
Londrina - prefixo 8450 - Avenida Inglaterra
Londrina - prefixo 8600 - Rua Mato Grosso
Lupionópolis- prefixo 4151 -Lupionópolis
Quitandinha - prefixo 4755 - Quitandinha
Reserva - prefixo 2523 - Reserva
Rio Branco do Ivaí - prefixo 4108 - Rio Branco do Ivaí
Santa Cecília do Pavão - prefixo 2573 - Santa Cecília do Pavão
São Pedro do Iguaçu - prefixo 4110 - São Pedro do Iguaçu
Tamarana - prefixo 4785 - Tamarana


Texto original em Brasil de Fato e G1 PR 

quarta-feira, 23 de novembro de 2016

MANIFESTO

UNIOESTE, Marechal Cândido Rondon, 15/11/2016
Nós, Camponeses, Estudantes, Indígenas, Pesquisadores e Professores da Educação Básica, de diferentes regiões do Estado, presentes na IV Jornada de Pesquisas sobre a Questão Agrária no Paraná, vimos a público denunciar e expressar nossa preocupação com o retrocesso de instrumentos jurídicos, Políticas, Programas e outras medidas ligadas ao campo e que foram objeto de intenso debate durante a Jornada.
A atual destruição de instâncias internas ao Estado brasileiro que tinham por atribuição a garantia de direitos inalienáveis constitucionalmente garantidos aos sujeitos do campo, - a exemplo das populações indígenas, povos tradicionais e camponeses beneficiários da reforma agrária e pequenos agricultores de um modo geral -, é medida de extrema gravidade, que vulnerabiliza em massa a população do campo e da cidade, impondo recessão econômica e fazendo ruir conquistas sociais.
Segundo o Ministério de Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA), na última década, a expansão da agricultura capitalista, falsamente confundida com agronegócio, consumiu, em média, 87% dos recursos públicos destinados ao campo. Contudo, há que destacar que o extraordinário impacto dos parcos 13% de investimentos na agricultura dos pobres, foram determinantes para a exclusão do Brasil do mapa da fome no mundo, fato ocorrido em 2014, conforme anunciado pela Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO).
No contexto dos impactos econômicos virtuosos como o dos mercados institucionais, traduzidos em aumento da produção de alimentos saudáveis para a cidade e o campo e que, pela primeira vez na história do país, chegou às escolas, hospitais e feiras que alimentam o povo brasileiro, houve melhoria das condições de vida das populações do campo e das cidades e construção dos princípios de sustentabilidade garantidos pela expansão da agricultura agroecológica, acesso à Educação do Campo, reconhecimento identitário, entre outros. Esses feitos se deram amplamente ancorados em políticas públicas focadas no Desenvolvimento Rural, mas que na prática, desdobraram-se em Desenvolvimento Local, em função de basear-se na agricultura lastreada na produção de alimentos saudáveis e geração de empregos.  
No entanto, a recente intensificação do processo de criminalização dos movimentos sociais do campo e a invisibilização da produção camponesa que, segundo o próprio Estado brasileiro (IBGE, 2012), contribui com 38% do faturamento agropecuário brasileiro, têm sido utilizadas para justificar a retirada dos recursos e a destruição dos direitos dos marginalizados de sempre. Ao mesmo tempo, o reconhecimento das diversas identidades de povos e comunidades tradicionais não tem servido para um reconhecimento dos seus territórios, ao contrário, diversas PEC’s estão sendo tramitadas para acabar com essa possibilidade.
Assim, vivenciamos um processo de retrocesso que nos preocupa e nos instiga a apresentar denúncias, com base em nossa presença cotidiana no campo, por meio de pesquisas, inúmeras ações extensionistas e processos educativos por nós desenvolvidos.
DENUNCIAMOS, em primeiro lugar, a situação de descaso e repressão que sofrem os povos indígenas na região Oeste do Paraná. Após visitar, durante o evento, quatro aldeias de Terra Roxa e Guaíra (Tekoha Yvyporã, Tekoha Tatury, Tekoha Mirim e Tekoha Karumbey) registramos múltiplos direitos humanos, sociais e territoriais desrespeitados e vulnerabilizados que expomos a seguir:
- O Estado brasileiro está se retirando de cumprir com suas obrigações fundamentais: por exemplo, na Tekoha Yvyporã há uma semana que a Sanepar não enche a caixa d’água; todas as aldeias sofrem com a demora do encaminhamento médico, que coloca em risco a vida dos indígenas (até foram relatados casos de mortes por falta de atendimento médico de urgência); não são fornecidos com regularidade remédios básicos para enfrentar as doenças; especialmente grave é o caso da obrigação de deslocar as mães em trabalho de parto para a cidade de Maripá (a mais de 80 km) quando poderiam ser encaminhadas para Guaíra (a menos de 20 km); a Copel não instalou redes de energia elétrica nas aldeias; as escolas com suas infraestruturas precárias não recebem merenda, mobiliário adequados e nem materiais em tempo para poder realizar as atividades didáticas, forçando os professores indígenas a arcar com a compra dos mesmos; o Estado dificulta o registro civil dos indígenas que tem que se deslocar até Guarapuava-PR (aprox.. 400 km) ou até o Mato Grosso do Sul para poder obter documentos. Tais registros são usados contra os mesmos posteriormente, pois lhes negam direitos pelo fato da documentação os colocarem na condição de “estrangeiros”; a Fundação Nacional do Índio(FUNAI) e a Secretaria Especial de Saúde Indígena (SESAI) funcionam precariamente, sem orçamento, sem funcionários suficientes e sempre com ameaças, cada vez mais intensas, de serem fechadas.
- Para além da sociedade, na institucionalidade do Estado (escolas, hospitais, postos de saúde, sistema judiciário, entre outros) foram relatadas contínuas formas de tratamentos e abordagens preconceituosas contra os povos indígenas da região;
- Existem contínuas ameaças físicas e verbais aos indígenas por parte de bandos armados (milícias), compostas por pistoleiros, jagunços e pelo próprio aparelho repressor do Estado, capitaneados por proprietários rurais e suas organizações (Sindicatos Patronais, ONGDIP - Organização Nacional de Garantia ao Direito de Propriedade, etc.) que são contra os direitos dos indígenas. Por outro lado, boa parte da população em geral acaba incorporando esse discurso, ao ser influenciada por campanhas mentirosas de desprestígio contra as formas de viver indígena e contra seus direitos ao território.
- Os indígenas da região estão sofrendo o envenenamento continuo por agrotóxicos, em virtude da proximidade das terras plantadas de soja (foram observadas moradias a menos de três metros das lavouras). A água a que têm acesso, quando isso ocorre, está contaminada pelo uso de venenos, que também matam suas próprias lavouras e seus animais. Os indígenas não têm acesso a áreas de florestas que possam viabilizar seus modos de vida e ser fonte de alimentos, de remédios, de práticas religiosas ancestrais e de materiais para construção de suas moradias e de seus utensílios cotidianos.
- O maior descaso, violência e problemas recaem na demora injustificada do trâmite da demarcação das terras indígenas que colocam os referidos sujeitos em situação de vulnerabilidade e interdição de direitos. A demarcação das terras deve ser imediata para que se possam atender as demandas dos direitos e das necessidades indígenas. Assim, deve-se pensar com eles sobre seus direitos ao território de vida. Porém, a demarcação deve vir acompanhada de outras medidas que ajudem a consolidar os direitos indígenas e, sobretudo, de outras voltadas à sociedade em geral para que se dê um passo à frente para (re)conhecer e para entender os diferentes, porém semelhantes, que são os indígenas.
São tantos os direitos desrespeitados que até parece que não há solução, mas a tristeza, a dignidade e a firmeza com que os povos indígenas nos relataram sobre suas lutas e suas re-existências e também os sorrisos e brincadeiras das crianças nos fazem sair desse evento com a certeza de que a sua luta é a nossa, que a defesa de uma sociedade brasileira melhor passa pela garantia dos seus direitos territoriais, mas também de suas formas de vida que nos ensinam valores fundamentais a cada dia.
Essas denúncias confrontam um modelo de campo baseado em uma macroeconomia enganosa que mantém os desequilíbrios e as desigualdades, os monopólios e os lucros para poucos, o uso indiscriminado e mortal dos agrotóxicos, as técnicas irresponsáveis das corporações, as injustiças sociais. Um modelo que relega o papel do Estado a subsidiar o benefício de um agronegócio para poucos e que esbanja bens naturais e financeiros. Trata-se de um modelo que coloca em risco, definitivamente, a vida. Esse modelo da modernização da agricultura que não respeita a diversidade de saberes do campo brasileiro, que acirra seus problemas e que limita a reprodução da diversidade de povos no campo é um MODELO QUE NÃO SERVE, que deve ser radicalmente transformado a partir dos projetos fundados na justiça social que as mobilizações já estão promovendo.
Por isso conclamamos o engajamento de cada brasileiro para que participe do esforço de desconstrução da barbárie que está em marcha, através do apoio às seguintes ações:
- Bloquear as mudanças legais que flexibilizam o CONTROLE SOBRE OS AGROTÓXICOS que colocam em risco a saúde pública, as águas, solos e florestas. 
- Ampliar a ação política para o RESTABELECIMENTO DAS POLÍTICAS PÚBLICAS voltadas à agricultura familiar camponesa.
- Ampliar os incentivos para fortalecer uma EDUCAÇÃO DO CAMPO promovida com, pelos e para os sujeitos do e no campo e, a partir de suas realidades concretas.
- Apoiar uma profunda e estrutural REFORMA AGRÁRIA fundada em outro modelo de produção e de vida para o campo, baseada na redistribuição de terras, renda, riqueza e poder no meio rural e no país.
- Impedir a aprovação das LEIS que abrem as porteiras para que os estrangeiros adquiram terras indiscriminadamente no Brasil, fator de grave processo de desnacionalização, perda da soberania territorial e despojo dos territórios indígenas, dos povos tradicionais e dos camponeses.
- RECHAÇAR, DENUNCIAR E DIVULGAR todas as ações arbitrárias e violentas cometidas pelo Estado do Paraná contra os trabalhadores rurais sem-terra como o ocorrido em Quedas do Iguaçu, na Escola Nacional Florestan Fernandes em São Paulo, e Centro de Pesquisa e Capacitação Geraldo Garcia (CEPEGE) no Mato Grosso do Sul (operação Castra).
- Exigir o FIM DA CRIMINALIZAÇÃO dos movimentos sociais e a imediata liberdade de todos os presos políticos no Brasil.
- DENUNCIAR E LUTAR CONTRA A PEC 215/2000 que elimina o arcabouço constitucional protetivo sobre todas as Unidades de Conservação e todas os territórios indígenas e de povos tradicionais no Brasil, em favor do império absoluto da grilagem no qual repousa a possibilidade derradeira de ampliação da propriedade privada capitalista da terra.
As pesquisas, os debates, as visitas em campo e a descrição de nossas lutas cotidianas nos deram elementos para nos posicionar desta forma frente à quantidade de problemas e ameaças que nos interpela profundamente. Com essa carta queremos fortalecer caminhos para a ação conjunta propondo ações e reflexões que nos permitam construir alternativas comuns.

terça-feira, 22 de novembro de 2016

Conservação dos recursos hídricos em unidades de produção e vida familiar.

"Conservação e uso sustentável de recursos hídricos como instrumento de gestão ambiental em unidades rurais familiares com produção agroecológica no município de Francisco Beltrão -- PR"



segunda-feira, 7 de novembro de 2016

Em relação às ações da Polícia Civil do estado do Paraná no âmbito da denominada “Operação Castra” em Quedas do Iguaçu no dia 04/11/2016, os advogados do caso esclarecem:

"Em relação às ações da Polícia Civil do estado do Paraná no âmbito da denominada “Operação Castra” em Quedas do Iguaçu no dia 04/11/2016, os advogados do caso esclarecem: 1 - O MST é um movimento social popular legítimo, conforme afirmado pelo Superior Tribunal de Justiça em julgamento realizado no dia 18/10/2016. Todos os cidadãos brasileiros têm o direito de organização e de reunião, inclusive para lutar pela Reforma Agrária, bem como para que as propriedades rurais e urbanas do país cumpram sua função social. É ilegal e abusivo utilizar da Lei n. 12.850/13 (Lei de organizações criminosas) pelo simples fato de pessoas serem militantes do MST.
2 - Embora os autos dos Inquéritos ainda não estejam disponíveis para a equipe de advogados, da análise dos documentos a que foi possível acesso, constata-se que as armas apreendidas no âmbito da Operação Castra pertencem à EVALDO DE AZEVEDO, que foi preso dias antes, noutra operação, e não guarda nenhuma relação com o Movimento Sem Terra ou com o Acampamento Dom Tomás Balduíno.
3 – A tentativa de criminalização do MST na região de Quedas do Iguaçu ocorre há anos devido ao grande número de conflitos decorrentes da grilagem de terras na região. Desde maio de 2014 aproximadamente 3 (três) mil famílias ocupam áreas da União griladas ilegalmente pela empresa ARAUPEL. A Justiça Federal declarou que as terras pertencem à União e que devem ser destinadas às famílias que aguardam pela Reforma Agrária.
4 – O judiciário de Quedas do Iguaçu e a Polícia Civil do Paraná têm agido de forma parcial para criminalizar a luta social na região. Em abril deste ano dois trabalhadores rurais foram assassinados Polícia Militar quando estavam dentro do acampamento do MST, e até o presente momento ninguém foi denunciado por tais crimes.
5 - As ilegalidades cometidas no curso da Operação Castra são graves e flagrantes. São7 injustificáveis os abusos policiais praticados na Escola Nacional Florestan Fernandes - ENFF, em São Paulo, na qual, Policiais Civis do Grupo Armado de Repressão a Roubos e Assaltos – GARRA, não identificados, sem mandado judicial, invadiram a sede da escola disparando armas de fogo com armamento letal e proferindo ameaças de todas as ordens, inclusive de morte aos estudantes, professores e trabalhadores presentes. Na ocasião a cantora Guê Oliveira e o bibliotecário Ronaldo Valença, de 64 anos, que possui Mal de Parkinson, foram presos e agredidos pela Polícia sem qualquer motivo.
6 – As ações e recursos cabíveis já estão sendo elaborados para revogação das prisões arbitrárias e denúncia das ilegalidades cometidas.
Giane Alvares, Juvelino Strozake, Luciana Pivato , Diego Vedovatto e Paulo Freire. São Paulo (SP), 06 de novembro de 2016.”

sábado, 5 de novembro de 2016

MOÇÃO DE REPÚDIO À INVASÃO DA ESCOLA NACIONAL FLORESTAN FERNANDES E PERSEGUIÇÃO AOS NOSSOS COMPANHEIROS E COMPANHEIRAS DO MST

O Grupo de Trabalho Estudos Críticos do Desenvolvimento Rural, do Conselho Latino Americano de Ciências Sociais (CLACSO), vem a público manifestar seu mais completo repúdio contra a invasão truculenta da Escola Nacional Florestan Fernandes (ENFF), em Guararema, São Paulo, na manhã de 04 de novembro de 2016, cometida por forças das polícias civil e militar, sem mandado judicial e com o uso de armas de grosso calibre e munição letal contra funcionários, estudantes, educadores, artistas, agricultores.
Emersos no ódio, a invasão orquestrada pelo Governo do Paraná articulado com o Governo de São Paulo, sob “Operação Castra” , tem como objetivo criminalizar os Companheiros e as Companheiras do MST - Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra - com o objetivo de condena-los pública e judicialmente como membros de uma “organização criminosa”, enquadrando-os no Lei Anti-Terror. Acusam seus integrantes de “suspeitos de furto, dano qualificado, roubo, invasão de propriedade, incêndio criminoso, cárcere privado, lesão corporal, porte ilegal de arma de fogo de uso restrito e irrestrito e constrangimento ilegal”.
Na sana criminosa da extinção de um movimento histórico que luta pela democratização da terra, o ataque à renomada ENFF é uma clara tentativa de exterminar as iniciativas do povo brasileiro criar, construir e determinar os próprios caminhos para formar seu conhecimento, consciência crítica e decidir sobre as ações no mundo.
A ENFF é resultado do trabalho coletivo voluntário de mais de 1.000 trabalhadores, há 11 anos, que lutaram para criar um espaço próprio para construir uma educação e formação de qualidade para romper com mais de cinco séculos de latifúndio escravocrata que constituiu e constitui ainda hoje a formação territorial, social, política e econômica do País, sob a qual inclusive famílias dos policiais que a invadiram e atiraram nos nossos Companheiros e Companheiras foram vitimas, e ainda são, do ódio e ignorância que favorece o aprisionamento da consciência humana.
Ao longo desta década a ENFF converteu-se em um espaço educativo reconhecido e renomado internacionalmente pela qualidade dos seus cursos nos níveis de educação básica, ensino técnico, superior e pós-graduação, com abrangências nacional e internacional, contribuindo para sujeitos comprometidos com a justiça social, reforma agrária, soberania alimentar, tecnologias de recuperação e conservação da natureza e de apoio à produção de alimentos saudáveis. A invasão militarizada, carregada de prisões e ameaças à vida dos sujeitos é gravíssima, repugnante e inadmissível!
Nesse sentido, vimos manifestar, veementemente, chocados com tamanha barbaridade, nosso repúdio por tais truculências. Muitos de nós somos professores e professoras, Amigos Associados e Amigas Associadas dessa grandiosa Escola que representa o Patrimônio Material e Imaterial da sociedade brasileira, da América Latina, dos povos do Mundo.

Aby Ayala, 04 de Novembro de 2016

Grupo de Trabalho Estudos Críticos do Desenvolvimento Rural
Conselho Latino Americano de Ciências Sociais (CLACSO)

sexta-feira, 4 de novembro de 2016

Nota do MST - Mais Reforma Agrária e fim da criminalização do MST

    Mais uma vez o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) é vítima da criminalização por parte do aparato repressor do Estado Paranaense. A ação violenta batizada de “Castra” aconteceu na nessa sexta-feira (04/11/2016), no Paraná, em Quedas do Iguaçu; Francisco Beltrão e Laranjeiras do Sul; também em São Paulo e Mato Grosso do Sul.
    O objetivo da operação é prender e criminalizar as lideranças dos Acampamentos Dom Tomás Balduíno e Herdeiros da Luta pela Terra, militantes assentados da região central do Paraná. Até o momento foram presos seis lideranças e estão a caça de outros trabalhadores, sob diversas acusações, inclusive organização criminosa.
    Desde maio de 2014 aproximadamente 3 mil famílias acampadas, ocupam áreas griladas pela empresa Araupel. Essas áreas foram griladas e por isso declaradas pela Justiça Federal terras públicas, pertencentes à União que devem ser destinadas para a Reforma Agrária.
    A empresa Araupel que se constitui em um poderoso império econômico e político, utilizando da grilagem de terras públicas, do uso constante da violência contra trabalhadores rurais e posseiros, muitas vezes atua em conluio com o aparato policial civil e militar, e tendo inclusive financiado campanhas políticas de autoridades públicas, tal como o chefe da Casa Civil do Governo Beto Richa, Valdir Rossoni.
    Lembramos que essa ação faz parte da continuidade do processo histórico de perseguição e violência que o MST vem sofrendo em vários Estados e no Paraná. No dia 07 de abril de 2016, nas terras griladas pela Araupel, as famílias organizadas no Acampamento Dom Tomas Balduíno foram vítimas de uma emboscada realizada pela Policia Militar e por seguranças contratados pela Araupel. No ataque, onde foram disparados mais de 120 tiros, ocorreu a execução de Vilmar Bordim e Leomar Orback, e inúmeros feridos a bala. Nesse mesmo latifúndio em 1997 pistoleiros da Araupel assassinaram em outra embosca dois trabalhadores Sem Terra. Ambos os casos permanecem impunes.
     Denunciamos a escalada da repressão contra a luta pela terra, onde predominam os interesses do agronegócio associado a violência do Estado de Exceção.
    Lembramos que sempre atuamos de forma organizada e pacifica para que a Reforma Agrária avance. Reivindicamos que a terra cumpra a sua função social e que seja destinada para o assentamento das 10 mil famílias acampadas no Paraná.
    Seguimos lutando pelos nossos direitos e nos somamos aos que lutam por educação, saúde, moradia, e mais direitos e mais democracia.
      Lutar, construir Reforma Agrária Popular.
      Curitiba, 04 de novembro de 2016.