segunda-feira, 10 de abril de 2017

COMUNIDADES GUARANI FECHAM PONTE NO OESTE DO PARANÁ POR DEMARCAÇÃO DE TERRA INDÍGENA

 (Foto: Comissão Guarani Yvyrupa)
Segunda-feira 03 de abril de 2017.

Na madrugada desta segunda-feira (03), cerca de 450 indígenas das comunidades Guarani de Guaíra e Terra Roxa ocuparam a ponte Ayrton Senna que liga o Oeste do Paraná ao município de Mundo Novo (MS). As comunidades exigem a demarcação do território Guarani na região, além de melhores condições de vida nas aldeias.

A ponte foi liberada por volta do meio dia após negociações com a presença dos prefeitos Heraldo Trento (DEM-PR) e Altair de Padua (PSC) de Guaíra e Terra Roxa respectivamente. As autoridades assinaram um documento se comprometendo a negociar as reivindicações com as lideranças indígenas.

As lideranças Guarani entregaram um documento, escrito à mão e assinado pelos caciques e representantes das aldeias da região, destinado ao governo do estado do Paraná, aos prefeitos de Guaíra e Terra Roxa, aos representantes do Ministério Público Federal e à Fundação Nacional do Índio (Funai).

O documento manifestava a intenção das comunidades Guarani em ocupar a ponte Ayrton Senna até que as autoridades se comprometessem a assumir suas responsabilidades frente às reivindicações.

“Estamos reivindicando direitos básicos que nos negam aqui nos municípios de Guaíra e Terra Roxa”, diz Iumar Martins Rodrigues, liderança da aldeia Karumbey.

(Foto: Comissão Guarani Yvyrupa)
 Além da demarcação das Terras Indígenas na região, as lideranças exigem condições básicas para o funcionamento das escolas que atendem os indígenas; a retomada do atendimento médico nas aldeias; a entrega regular de cestas básicas; o abastecimento de água; a instalação de energia elétrica em todas as aldeias; obras de saneamento básico que incluam a canalização de esgoto e de água; a reforma das vias de acesso às aldeias e, por fim, a contratação de agentes de saúde e de professores.

“O governo deve trazer melhorias para toda a população. Não somente para os ricos e deixar os pobres morrerem”, completa Anatálio Ortiz, cacique da aldeia Jevy.

Demarcação

Vivendo no limite de fazendas com extensas plantações de soja, a situação de violência contra indígenas no Oeste do Paraná se estende por anos e resulta na extrema vulnerabilidade em que se encontram as comunidades Guarani.

“Não nos dão oportunidades aqui na região. Há muito preconceito e muita violência contra os indígenas”, revela Iumar Martins.

A colonização do Oeste do Paraná incentivada pelo Estado brasileiro resultou no esbulho territorial do povo Guarani, o que permitiu a chegada de extensas plantações de soja na região configurando atualmente uma região produtora de grãos para o agronegócio.

Após anos resistindo em pequenos espaços ou confinados em pequenas reservas, as comunidades iniciaram um processo de retomada de suas terras no qual formaram as atuais 14 aldeias nos municípios de Guaíra e Terra Roxa.

Desde então reivindicam a demarcação de uma Terra Indígena que garanta as condições para sua reprodução física e cultural de acordo com os direitos dos povos indígenas previstos na Constituição Federal de 1988.

“Queremos saber da Funai qual é a proposta de demarcação”, afirma o cacique Anatálio Ortiz.

Cortes na Funai

Diante dos recentes cortes de cargos comissionados da Funai através de decreto presidencial de Michel Temer e as incertezas trazidas com a nomeação do deputado ruralista Osmar Serraglio (PMDB-PR) para o Ministério da Justiça, as comunidades Guarani do Oeste do Paraná também se preocupam com o atendimento do órgão indigenista na região.

“Nesse início de 2017 a situação só está piorando. Existe a ameaça de fechar a CTL da Funai que atende as comunidades Guarani do oeste do Paraná”, comenta Iumar Martins

Publicado originalmente em: http://trabalhoindigenista.org.br/comunidades-guarani-fecham-ponte-no-oeste-do-parana-por-demarcacao-de-terra-indigena/

NO OESTE DO PARANÁ, POVO GUARANI MBYA FECHA PONTE REIVINDICANDO DEMARCAÇÃO E MELHORES CONDIÇÕES DE VIDA


Crédito da Foto: Luís Fernando Jacques/Brasil de Fato-PR
Por Renato Santana, da Assessoria de Comunicação - Cimi

As consequências da falta de demarcações de terras indígenas no Oeste do Paraná encontram similaridades com o vivido pelos povos do Mato Grosso do Sul. Sem terra, em acampamentos pauperizados, indígenas Guarani Mbya estão expostos não apenas a ataques de pistoleiros, mas a situações de fome, falta de água potável e suicídios.

Mesmo com todas as dificuldades, seguem resilientes e no início desta semana trancaram a ponte Ayrton Senna, que liga Guaíra (PR) ao município de Mundo Novo (MS). O protesto teve como principal ponto de pauta a demarcação das terras indígenas dos Guarani Mbya no Oeste do Paraná.  

"Temos acampamentos com os parentes vivendo num espaço pequeno entre a fazenda e a estrada. Vivendo num lamaçal, passando fome e frio", explica o cacique Anatalio Guarani Mbya. O indígena revela que os órgãos públicos constantemente afirmam que eles são, na verdade, índios paraguaios.

Cacique Anatalio lembra que os Guarani Mbya sempre ocuparam todo o Sul do país e da América Latina - mesmo com a colonização intermitente. A construção da UHE de Itaipú inundou ao menos uma dezena de aldeias, dispersando ainda mais as famílias. "Então temos parentes, família mesmo, no Paraguai, na Argentina e no Brasil. Não existe Guarani Mbya paraguaio, existe o povo Guarani Mbya".  

O líder indígena ressalta que os Guarani Mbya não possuem acesso a saneamento básico, cestas básicas (uma vez estão sem terras para plantar), água, saúde, a educação é precária e sem investimentos, além de faltar professores e agentes de saúde. "Temos muitas crianças doentes", diz o cacique.

No trancamento da ponte, ao menos 500 Guarani Mbya estavam presentes. "A gente vê o que tá acontecendo e pensa: governo quer matar todos os povos indígenas. Acho que eles estão tentando faz tempo. Destruíram nosso mundo já, mas seguimos aqui vivos", diz o cacique Anatalio.

Conforme noticiou o Centro de Trabalho Indigenista (CTI), "a ponte foi liberada por volta do meio dia após negociações com a presença dos prefeitos Heraldo Trento (DEM-PR) e Altair de Padua (PSC) de Guaíra e Terra Roxa, respectivamente. As autoridades assinaram um documento se comprometendo a negociar as reivindicações com as lideranças indígenas".

Frente anti-indígena

A Organização Nacional de Garantia ao Direito de Propriedade (Ongdip) e Sindicatos Rurais encabeçam uma forte campanha difamatória com incitação pública, com moradores de Guaíra e Terra Roxa incentivados abertamente a tomar partido na luta contra os povos indígenas.

Faixas foram estendidas pelas praças e principais ruas da cidade com dizeres como "invasão indígena não combina com ordem e progresso" e "o Brasil que produz merece respeito". Um panfleto de caráter racista intitulado "A Verdade", financiado a partir de recursos privados dos vereadores da cidade de Guaíra, foi amplamente distribuído.

Pelas cidades do Oeste do Paraná não é difícil encontrar automóveis com adesivos: "Minha Terra, Minha vida: PR e MS contra a demarcação das terras indígenas". Em Guaíra, no ano passado, um acampamento Guarani Mbyá, nas imediações do centro da cidade, sofreu ataque a tiros.  

Políticos até mesmo do PT, partido com correntes de apoio aos povos indígenas, estão envolvidos em ataques aos Guarani Mbya na região, caso da senadora Gleisi Hoffmann, que quando ministra da Casa Civil declarou não existir índios no Paraná, e do ex-prefeito de Guaíra, Fabian Vendrusculo, que certa vez decretou feriado para protestos contra as demarcações.

Em Guaíra, conforme o Setor de Documentação de Terras Indígenas do Cimi, são sete territórios tradicionais a serem identificados pela Funai e um sem quaisquer providências. Já em Terra Roxa, são cinco territórios em processo de identificação. São cerca de 5 mil Guarani Mbya em busca das terras que sempre lhes pertenceu. 

Publicado originalmente em: http://www.cimi.org.br/site/pt-br/?system=news&action=read&id=9198#

segunda-feira, 3 de abril de 2017

UNIOESTE ANUNCIA REALIZAÇÃO DO PROJETO “RESGATE DE UM PATRIMÔNIO CULTURAL: OS SABERES REFERENTES AO CULTIVO E USO DE PLANTAS MEDICINAIS NO BAIRRO PADRE ULRICO, EM FRANCISCO BELTRÃO”

Em agosto do ano passado se encerrava o “Projeto Resgatando saberes: o cultivo e uso de plantas medicinais no bairro Padre Ulrico, em Francisco Beltrão/PR”, realizado como atividade de extensão universitária pela Universidade Estadual do Oeste do Paraná (Unioeste), campus de Francisco Beltrão, coordenado pelo Professor Luiz Carlos Flávio do curso de Geografia da Unioeste. O projeto foi financiado em parceria com a Secretaria de Estado da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior (SETI), através do Programa Universidade Sem Fronteiras do Governo do Paraná.
Sua realização envolveu, além de professores/estudantes da Unioeste, bolsistas formadas em Geografia e Engenharia Ambiental; tendo tido como parceiros e integrantes do projeto: moradores do bairro Padre Ulrico, igreja Católica e de outras denominações religiosas; Clube de Mães, Grupo de Idosos, Posto de Saúde local;  Secretarias Municipais: de Desenvolvimento rural e do meio Ambiente;  Sindicato dos Trabalhadores Rurais, além de parceiros profissionais liberais, entre outros.
Durante sua existência o projeto realizou diversos cursos sobre técnicas de plantio e uso de plantas medicinais na forma de chás, xaropes, pomadas, aromaterapia, culinária etc. Implementou um trabalho com turmas de crianças da Escola Estadual Leo Flach, envolvendo conhecimentos sobre plantas medicinais. Seus participantes conheceram experiências com plantas medicinais de outras localidades do Paraná: no refúgio biológico da Itaipu Binacional; no Centro de Medicina Popular (Yanten) de Medianeira; e no horto medicinal da Unipar, em Umuarama. Construíram uma horta medicinal no Parque Irmão Cirilo, contendo mais de 60 espécies de plantas medicinais. E, ao fim do projeto, foi publicado o livro: “Resgatando saberes: cultivo e uso de plantas medicinais (uma experiência no bairro Padre Ulrico, Francisco Beltrão/PR).
Agora a Unioeste anuncia que, entre os meses de março e novembro de 2017 estará realizando outro projeto com as mesmas características do mencionado Projeto “Resgatando Saberes...”. Este que começa agora é denominado: “Resgate de um patrimônio cultural: os saberes referentes ao cultivo e uso de plantas medicinais no bairro padre Ulrico, em Francisco Beltrão”, sendo fruto da parceria entre a Unioeste e Ministério da Educação e Cultura (MEC). O projeto encaminhado por professores da Unioeste foi aprovado entre muitos outros que disputaram financiamento em nível federal.

Primeira Reunião com Lideranças do bairro e apoiadores do projeto 

      As atividades a serem implementadas pelo projeto  (cursos de cultivo de plantas medicinais; produção de chás, pomadas; usos de plantas na culinária; continuação da horta medicinal etc.)  objetivam unir os esforços dos professores/bolsistas da UNIOESTE e dos diversos parceiros que já participaram do “Projeto Resgatando Saberes...”,  a fim de contribuir para que a população do bairro e da cidade resgate o cultivo e o uso das plantas medicinais em seu cotidiano.
Valorizando o resgate de conhecimentos populares sobre as plantas medicinais, o projeto também objetiva proporcionar que os saberes populares entrem em diálogo com pesquisas científicas (Medicina, Nutrição, Farmácia, Biologia, Enfermagem, História, Geografia, entre outras). Assim, visa resgatar os saberes referentes à eficácia das plantas medicinais em curar doenças, proporcionando à população o acesso à saúde de modo barato, contribuindo para a melhoria da qualidade de vida dos moradores do bairro Padre Ulrico e da cidade de Francisco Beltrão e região.

Retomada de trabalhos na horta medicinal