domingo, 25 de março de 2018

NOTA PÚBLICA DO OBSERVATÓRIO DE DIREITOS HUMANOS, CIDADANIA E MOVIMENTOS SOCIAIS DA UNIOESTE EM REPUDIO A PRISÃO DE CINCO INDIGENAS GUARANI, NO MUNICIPIO DE SANTA HELENA

O Observatório de Direitos Humanos, Cidadania e Movimentos Sociais da UNIOESTE vem a púbico manifestar sua consternação e repúdio em relação aos fatos recentes ocorridos no município de Santa Helena envolvendo as comunidades indígenas Guarani.
Repudiamos a prisão arbitrária de cinco indígenas Guarani por suposto crime ambiental contra a área de preservação de Itaipu Binacional, assim como os indícios de racismo e preconceito por parte da Polícia Ambiental em relação aos indígenas detidos e a sua comunidade de origem Mokoi Joegua.    
Repudiamos o discurso de ódio e baseado na violência que vem sendo vocalizado em Santa Helena por órgãos da imprensa local e oriundo de sindicatos patronais e associações de classe em relação as comunidades indígenas, discursos que terminam por impedir a possibilidade de mediação e superação dos conflitos por apostar na solução violenta e à margem da legalidade institucional, como a organização de “barreiras” em frente as comunidades indígenas Guarani com o pretenso objetivo de evitar “mais invasões”.
Neste sentido também repudiamos e nos causa estranheza que a Itaipu Binacional – sem nenhum aviso e nenhuma tentativa de negociação prévia – entre com 03 pedidos de reintegrações de posse contra as comunidades indígenas Guarani logo após a detenção dos indígenas pela Polícia Ambiental.
Lamentamos que a Itaipu não cumpra seu papel de mediadora do conflito territorial em Santa Helena, conflito que ela mesmo ocasionou ao inundar parte significativa do território tradicional Guarani com a subida das águas em 1982.
Diante destes fatos, o Observatório de Direitos Humanos, Cidadania e Movimentos Sociais da UNIOESTE se coloca solidário as justas demandas territoriais Guarani e solicita imediata intervenção do Ministério Público e da FUNAI para que se construam soluções de caráter pacífico e legal que garantam os direitos originários das comunidades Guarani.


 

quinta-feira, 22 de março de 2018

PEQUENAS PROPRIEDADES, GRANDES MULHERES


Pequenas propriedades, mulheres ativas e fundamentais para o negócio. Na agricultura familiar – preponderante no Paraná – o trabalho delas é chave para a evolução no faturamento, atentas à gestão, novas ideias e, claro, em sintonia fina com os maridos, o que auxilia inclusive numa sucessão familiar mais natural e sem traumas. Na Comunidade Rural do Ceboleiro, em Rolândia, a reportagem da FOLHA encontrou produtoras rurais com histórias incríveis, que caminham lado a lado com os esposos e, assim, se mostram essenciais para o negócio, como aponta a pesquisa divulgada pela ABMRA. 

Janete Caldeira do Nascimento Koch é uma delas. Nascida e criada no campo, quando morava com seus pais realizava mais trabalhos domésticos e estudava. Ao casar-se com Werner Anderson Koch, há 16 anos, percebeu que sua atitude dentro da propriedade rural deveria mudar: seu protagonismo era fundamental. Junto com o marido, buscou capacitação e juntos realizaram diversos cursos, como empreendedorismo rural, processamento de hortaliças, panificação e cultivo de eucalipto, por exemplo. 

Ela explica que nunca teve vontade de sair do campo e por isso a família Koch não titubeou em desenvolver projetos para melhorar a renda da família. "Queremos tirar nosso sustento da propriedade e ter bons ganhos. Fomos nos aperfeiçoando, fizemos cursos pelo Senar, participamos de eventos e buscamos novas tecnologias", cita ela. 

Na propriedade de sete alqueires, o trabalho hoje é focado nas hortaliças, aproximadamente 200 quilos por mês, plantio de morango, eucalipto e a agroindústria de panificação, com uma média de 300 quilos mensais. Os produtos em sua grande maioria são vendidos para as escolas, por meio dos programas governamentais voltados ao pequeno produtor. "Boa parte dos trabalhos faço em conjunto com meu marido, mas no caso da panificação tomo mais a frente. O interessante que essa movimentação animou inclusive minha sogra para participar, ela tem 76 anos, e agora também faz seus panificados", conta Janete. 

Aliás, a agroindústria é um dos pontos altos da propriedade. Com financiamento do Pronaf, Janete captou R$ 10 mil para iniciar os trabalhos. Já a comercialização com as escolas a família faz desde 2009. "Hoje existe inclusive o Pronaf mulher", ressalta ela. 

Em relação aos desafios do futuro, ela cita uma maior eficiência no controle de gestão e também a diversificação da propriedade. "Estamos atentos ao que o mercado está pedindo. Nos orgânicos, por exemplo, estamos trabalhando pela certificação, além de aproveitar ao máximo o que a propriedade oferece. Não podemos apenas vender o morango, precisamos processá-lo, faço geleia e vendo polpa. Também penso na sucessão familiar, temos nosso filho Gabriel, de 5 anos, e precisamos mostrar a ele que é possível viver bem na propriedade rural nos dias de hoje." 

Maria Aparecida Lucca, de 60 anos, também mora no Ceboleiro e na propriedade de 1,2 alqueire trabalha com horta orgânica, alguns animais como galinhas e porcos, mandioca, milho e umas cabeças de vaca. O cerne do trabalho fica com a comercialização da horta orgânica pelo PNAE (Programa Nacional de Alimentação Escolar), com um volume que varia de 100 a 200 quilos mensais. "Quando mudamos para a propriedade, há oito anos, eu e meu esposo colocamos na cabeça que nos sustentaríamos com o que é produzido aqui. Por isso tivemos que correr atrás dessas alternativas." 

Segunda Maria, ela fica responsável em comprar as mudas das hortaliças, corre atrás dos contratos do PNAE e ainda participa das reuniões junto ao Instituto Emater para pensar quais as melhores estratégias para o trabalho. "Nesta semana fui inclusive em Londrina para fazer minha inscrição para participar da feira orgânica. Vivi muitos anos da panificação na cidade e agora trabalhamos muito no campo (para ter qualidade de vida). Estamos aposentados e um sonho que tenho ainda é ter um restaurante rural aqui, para trabalharmos nos fins de semana." 

De donas de casa a agricultoras 

Maria Isabel Zambrin Henrique é assistente social do Instituto Emater em Rolândia há quase 20 anos. Ela comenta que houve uma evolução significativa na participação das mulheres na região, inclusive com reuniões de trabalho bem sistematizadas. "As mulheres no passado eram mais alheias à gestão da propriedade e hoje estão mais participativas com os maridos nas decisões, graças também a vários parceiros que a Emater possui na área rural. É interessante quando perguntado qual a profissão delas, no passado elas se denominavam 'do lar' e agora se intitulam agricultoras." 

Na região de Rolândia, a grande maioria das mulheres estão atuando com maridos e companheiros, mas existem casos daquelas que tomaram a frente do negócio. "Muitas têm negócios dentro da propriedade que são de responsabilidade completamente delas, como morangos suspensos, horta para a merenda escolar, entre outros." 

No grupo na cidade, muitas estão juntas para trabalhar com PAA (Programa de Aquisição de Alimentos) e, no momento, foco no PNAE. "Nesta nova etapa são 22 mulheres que atuarão com a merenda escolar. Fazemos todo o processo: desde o aconselhamento familiar, as reuniões e fortalecimento das produtoras para que elas assumam de fato o trabalho dentro da propriedade. Também há outro grupo de 13 mulheres com foco na agroindústria."

Site:https://www.folhadelondrina.com.br/folha-rural/pequenas-propriedades-grandes-mulheres-999488.html
 Reportagem de 03/02/2018

Carta de repúdio da ANPEGE e AGB contra a interferência a liberdade e autonomia docente



A ANPEGE (Associação Nacional de Pós-Graduação e Pesquisa em Geografia) e a AGB (Associação dos Geógrafos Brasileiros) tem acompanhado atentamente os ataques impetrados contra o Estado Democrático de Direito realizados pelo atual governo que se instalou após um golpe parlamentar-jurídico-empresarial-midiático e, por não ter nenhuma legitimidade, busca de todos os modos retirar garantias constitucionais e instalar a censura, perseguir os movimentos sociais e instaurar um Estado de Exceção.

Declaramos nosso total repúdio a interferência à liberdade e autonomia docente expressas em dois episódios recentes que envolvem: 


1) as declarações do Ministro “Golpista” da Educação Mendoça de Barros de propor processo administrativo contra o Professor Luiz Felipe Miguel da Ciência Política da UNB por criar a disciplina “Tópicos Especiais em Ciência Política: o golpe de 2016 e o futuro da democracia no Brasil” e


 2)abertura de inquérito por apologia ao crime ao Professor Emérito Elisaldo Carlini, da Unifesp, que há décadas pesquisa os efeitos medicinais da maconha e tem por seus trabalhos reconhecimento internacional.

Os cortes e o não cumprimento dos editais de fomento à investigação em Universidades e Institutos de Pesquisa, a extinção de programas exitosos como o PIBID e o desmonte das diversas áreas de Ciência e Tecnologia são, a nosso ver, parte do mesmo processo que visa amordaçar qualquer crítica.

Fazemos coro com as demais organizações da sociedade civil em denunciar ações que visam silenciar a comunidade acadêmica e científica brasileira, que além de enfrentar essas formas evidentes de obscurantismo científico e intelectual, tem agora um papel decisivo de lutar pela realização de eleições diretas, ser contrária à atual política facista de segurança nacional e conclamar todas e todos a por fim ao golpe.

São Paulo, 01 de março de 2018.

Manoel Fernandes de Sousa Neto Presidente da ANPEGE (2018-2019)
José Gilberto de Souza Presidente Nacional da AGB (2016-2018)

sábado, 17 de março de 2018

GRUPO GUARANI E PRESO NO PARANÁ POR RETIRAR TAQUARA DE ILHA DA UHE ITAPU


Nesta quarta-feira, 14 de março de 2018, por volta das 17h, um grupo de Guarani, ao 
regressar de uma incursão numa ilha formada pelo lago da Hidrelétrica de Itaipu, foi abordado e preso pela Polícia Ambiental do estado do Paraná e enviado para o cárcere da Polícia Federal, na cidade de Foz do Iguaçu. O crime cometido, segundo a Polícia Ambiental, está relacionado ao Art.38 da Lei 9.605: “destruir ou danificar vegetação primária ou secundária, em estágio avançado ou médio de regeneração…”.


 Indígenas Guarani às margens do Lago de Itaipu, em Santa Helena. Foto: Paulo Porto


Dentre os presos está o cacique Cláudio Vogado, líder da comunidade, além de mais quatro Guarani

O crime, segundo as informações preliminares, teria sido o corte de uma taquara, ou seja, o “bambu nativo”, comum para a confecção de artesanatos e construção de moradias. A ação ocorreu sobre um patrimônio privado, já que a área visitada pelos Guarani pertence oficialmente à Itaipu Binacional, mas retomada pela comunidade Guarani em janeiro de 2017, depois de 35 anos de expulsão.  
Chamado pelos Guarani de Tekoha Mokoi Joegua, a hoje retomada era uma aldeia habitada por diversas famílias Guarani, expulsas pela Itaipu Binacional, em 1982, quando fechou as comportas da maior represa do mundo.
Os Guarani nunca foram indenizados e sequer ouvidos pelo Estado.
A área está em litígio. Em 2017, a Justiça Federal de Foz Iguaçu concedeu dois anos de prazo para que a Funai regularize a terra.


sábado, 3 de março de 2018

MOÇÃO DE REPÚDIO À CRIMINALIZAÇÃO DAS ORGANIZAÇÕES ANARQUISTAS E DOS COLETIVOS LIBERTÁRIOS

No último dia 25 de outubro foi dado início uma operação da polícia civil do Rio Grande do Sul chamada de Érebo. Uma ação policial claramente anti-anarquista em Porto Alegre. Tal ação teve como alvo a Federação anarquista gaúcha, o Instituto Parrhesia e a ocupação pandorga. A operação policial foi articulada em conjunto com veículos de comunicação de massa, culminando em uma reportagem do programa fantástico que associa a ideologia anarquista ao terrorismo. Historicamente os agentes do capital, os detentores das mídias burguesa e os aparelhos de repressão do estado “pintam” o anarquismo como um mosaico do caos, medo e terrorismo. A investida detratora demonstra claramente a preocupação da classe dominante com o projeto anarquista de sociedade que rechaça a democracia representativa e apresenta como alternativa para o panorama eleitoral para 2018 o fortalecimento dos movimentos sociais e a elevação do nível de ação direta do povo buscando construir o poder popular desde baixo e à esquerda. Este programa se coloca como alternativa real do enfrentamento ao ajuste fiscal, a perda de direitos e o extermínio da juventude negra nas periferias e dos povos do campo.
Nós, participantes do SINGA 2017, reunidos/as em Curitiba, repudiamos a criminalização dos lutadores e lutadoras seja no campo libertário e dos demais setores populares. Falamos isso porque entendemos que hoje são os anarquistas e libertários que estão sendo perseguidos. Amanhã, tal onda repressiva, se estenderá a todos aqueles e aquelas comprometi@s com o projeto emancipatório da sociedade.
Essas e demais tentativas de criminalização de nossas lutas, de nossa bandeira, de nossos objetivos, de nossas vidas não devem ser empecilhos para continuarmos nosso trabalho, construindo um povo forte e organizado em todas suas instâncias no cotidiano de nossas frentes de luta. Da escola ao sindicato. Da família ao trabalho. Do campo e da cidade. Nossas ações vão continuar se territorializando. O anarquismo continua estendendo suas bandeiras de norte a sul nesse país rumo ao socialismo e a liberdade!
TODO APOIO AOS COMPANHEIROS E COMPANHEIRAS DA FEDERAÇÃO ANARQUISTA GAÚCHA-FAG, INSTITUTO PARRHESIA E À OCUPAÇÃO PANDORGA! ANARQUISMO NÃO É CRIME, E LUTA EXIGE RESPEITO!
VIVA A ANARQUIA! CONTRA A FARSA DA REDE GLOBO!

MOÇÃO DE APOIO AO MESTRADO EM REDE DE EDUCAÇÃO DO CAMPO NO RIO GRANDE DO SUL

(** encaminhada pelo GT 14b- Educação do campo)
Louvor à UFRGS e a PUC pela aprovação do projeto e a lamentável atitude da UNIPAMPA por ter recusado à gestão do Programa, como era de deliberação dos Movimentos Sociais e Instituições proponentes do mestrado.
Curitiba, 5 de novembro de 2017