quarta-feira, 21 de agosto de 2019

Carta de Irati

Unicentro, Irati, 16/08/2019

Nós, Camponeses, Indígenas, Benzedeiras, Faxinalenses, Estudantes e Professores, de diferentes regiões do estado do Paraná, presentes na VII Jornada de Pesquisas sobre a Questão Agrária no Paraná, vimos a público denunciar, reivindicar e expressar nossa preocupação com os retrocessos de ordem política, jurídica, social e ambiental relacionados aos povos do campo e que foram objeto de intenso debate durante a Jornada.
DENUNCIAMOS
- A situação de descaso e repressão que sofrem os povos indígenas das quatorze Tekohas na região Oeste do Paraná;
- O cercamento dos territórios, o envenenamento das plantas e das nascentes e o não reconhecimento das diferentes territorialidades dos povos e comunidades tradicionais;
- A ameaça de despejo aos camponeses acampados e assentados no estado do Paraná;
- O enxugamento na elaboração e execução de políticas públicas destinadas aos povos do campo;
- Os limites que a agricultura convencional, baseada no uso intenso de agrotóxicos, impõe à territorialização da agroecologia;
- O fechamento das escolas do campo;
- A liberação massiva da comercialização e do uso de agrotóxicos;
- A violência praticada contra as mulheres do campo.
No caso específico dos povos indígenas, DENUNCIAMOS que a demora na demarcação das terras, impede a gestão do território compatível com seu modo de vida e favorece a expansão do agronegócio sobre as terras tradicionalmente ocupadas, degradando a natureza por meio do desmatamento e do uso de agrotóxicos empregados nas monoculturas, o que tem provocado: a contaminação das águas, o adoecimento das comunidades e a extinção das espécies nativas da fauna e da flora.
Diante disso, após amplo debate com os representantes indígenas, REIVINDICAMOS: a demarcação das terras indígenas no Oeste do Paraná; a construção de poços artesianos, de escolas e de equipamentos de saúde pública; a contratação de agentes indígenas de saúde e saneamento; a recuperação e preservação das nascentes e dos rios.
Além disso, os povos indígenas se posicionam contrários à municipalização da saúde, defendendo que o atendimento deve ser garantido na esfera federal a fim de assegurar um atendimento humanizado para homens, mulheres e crianças, considerando a sua cultura.
Por fim, queremos fortalecer caminhos para a ação conjunta, propondo ações e reflexões que nos
permitam construir alternativas comuns. Como esta jornada nos mostrou, em tempos de
obscurantismo, a energia, a luta e a resistência dos sujeitos do campo apontam para a esperança.
Sigamos caminhando.


segunda-feira, 5 de agosto de 2019

Bispos publicam nota de repúdio ao despejo de famílias na região de Londrina e pedem revisão de todos os já feitos no Paraná

“Num momento de polarização e intolerância, é preciso que o diálogo até a exaustão, na busca de soluções pacíficas, seja condição irrenunciável", afirma a nota.
Os bispos da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) da Regional Sul 2 - que abrange o Paraná - lançaram uma nota de repúdio à reintegração de posse ocorrida nesta terça-feira (30/08) em Lerroville, área rural de Londrina, norte do estado do Paraná. O despejo do Acampamento Quilombo dos Palmares foi executado sem qualquer aviso anterior, com forte aparato policial, dezenas de viaturas e homens da Polícia Militar e da Tropa de Choque do Paraná, além de sobrevoos de helicóptero.
Sob forte pressão psicológica, os camponeses e camponesas desmancharam suas casas de madeira e reuniram o que construíram desde 2015, quando ocuparam a área. Ficou para trás a maior parte dos alimentos e animais produzidos e criados pelos agricultores sem-terra. As famílias estão abrigadas no Centro Comunitário do assentamento Eli Vive, localizado a 3 quilômetros do acampamento. No entanto, os objetos e móveis estão a céu aberto, à espera de lona.
Assinam a nota Dom Geremias Steinmetz, Arcebispo de Londrina e Presidente da CNBB Regional Sul 2Padre Valdecir Badzinski, Secretário Executivo da CNBB Regional Sul 2Dom Amilton Manoel da Silva, bispo Auxiliar de Curitiba e Secretário da CNBB Regional Sul 2; e Dom José Antônio Peruzzo, Arcebispo de Curitiba e Vice-Presidente do Regional Sul 2.

quinta-feira, 1 de agosto de 2019

PM cumpre mandado e retira famílias do MST de fazenda de José Janene

A Polícia Militar deflagrou no começo da manhã desta terça-feira (30) a reintegração de posse em uma fazenda ocupada desde 2015 por famílias do MST (Movimento Sem Terra) no distrito de Lerroville, zona rural de Londrina. A área tem 86 alqueires, segundo os ocupantes, e pertence a parentes do ex-deputado federal José Janene, morto em 2010.

Segundo uma das coordenadoras do Acampamento “Quilombo de Palmares”, Ângela Pasqual, cerca de 300 famílias ocuparam a propriedade há quatro anos, mas, 159 ainda estavam no local. A Polícia Militar, entretanto, afirmou ao deputado Arilson Chioratto (PT), que esteve na desocupação, que os ocupantes se revezavam no acampamento e, pela manhã, quando chegaram cerca de 90, entre homens, mulheres e crianças, estavam em seus barracos. Ângela e José Damasceno, outro coordenador do MST na região, argumentaram que têm os manifestantes teriam direito ao espaço porque este teria sido adquirido por Janene com verbas públicas oriundas do Mensalão. 

Damasceno afirma que os ocupantes da fazenda em Lerroville são oriundas de outra propriedade, a Fazenda Figueira, doada pelo barão do café Alexandre Von Pritzelwitz, em 1995, para a Fundação de Estudos Agrários Luíz de Queiroz (FEALQ).

À época, afirma o coordenador do movimento, foi firmado um acordo entre o ex-prefeito Alexandre Kireeff, o Ministério Público e o Incra (Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária) para acomodar 1,2 mil, mas a conversa não prosperou. Enquanto isso, quem foi obrigado a sair de casa ficará temporariamente no Assentamento Eli Vive.

Luis Fernando Wiltemburg