quarta-feira, 30 de outubro de 2019

Nota de repúdio pela volência e ameaças sofridas por faxinalenses em Pinhão-PR

A Articulação Puxirão de Povos Faxinalenses (APF) manifesta repúdio à violência sofrida pela família Ferreira Silva do Faxinal Bom Retiro em Pinhão/PR, na noite do dia 27 de julho de 2019, quando foram disparados dois tiros de arma de fogo, calibre 12 na residência da família, obrigando-a a se refugiar para local distante a fim de garantir sua integridade física e psicológica.
Após alguns meses, no dia 05 de outubro, novamente a família sofreu violência, quando a casa desabitada foi incendiada e destruída pelo fogo criminoso daqueles que querem expulsá-la do Faxinal Bom Retiro e enfraquecer a organização política faxinalense como um todo. Na foto abaixo verificam-se as cinzas da casa incendiada pelos criminosos.
Se não bastasse os tiros e a destruição da casa, no dia 21 de outubro de 2019, houve uma terceira ameaça, quando foram inscritos símbolos de cruz e túmulos, conforme foto a seguir, nas proximidades da casa destruída, indicando disposição de assassinato de todos os membros da família Ferreira Silva.
A APF mantém sua disposição de denunciar as violências sofridas pela família, bem como apoiar todas as providências legais, para que sejam apurados e punidos os responsáveis pelos crimes de destruição de patrimônio, tentativa de homicídio e ameaça de morte à família faxinalense.
Articulação Puxirão de Povos Faxinalense (APF);
CERESTA - Coletivo de Estudos e Ações em Resistências Territoriais no Campo e na Cidade (Unicentro);
Comitê de Lutas Sociais do Oeste do Paraná;
ENCONTTRA – Coletivo de Estudos sobre Conflitos pelo Território e pela Terra (UFPR);
GECA - Grupo de Pesquisas em Geografia Agrária e Conservação da Biodiversidade (UFMT);
GEOLUTAS – Laboratório e Grupo de Pesquisa de Geografia das Lutas no Campo e na Cidade (Unioeste - Marechal Cândido Rondon);
GEOMUNDI - Laboratório de Geopolítica, Análise Regional e Teoria Social Crítica (Unesp – Rio Claro);
GETEC - Grupo de Estudos sobre Trabalho, Espaço e Campesinato (UFPB);
GETERR – UNIOESTE Grupo de Estudos Territoriais (Unioeste- Francisco Beltrão);
Grupo de Estudos da História Social do Campo (Unifesp – Campus Guarulhos);
HOMP - Núcleo de Estudos em história oral, memória e história pública (UFGD);
LABERUR - Laboratório de Estudos Rurais e Urbanos (UFS);
LABET - Laboratório de Estudos Territoriais (UFMS);
LAGEA – Laboratório de Geografia Agrária (UEM);
LAGEA - Laboratório de Geografia Agrária (UFU);
LERASSP - Laboratório de Estudos Regionais e Agrários no Sul e Sudeste do Pará – (UNIFESSPA);
LEUA - Laboratório de estudos urbanos e agrários (UFGD);
Marcha Mundial das Mulheres;
NAPTerra – Núcleo de apoio aos Povos da Terra (UNILA);
NERA - Núcleo de Estudos, Pesquisas e Projetos de Reforma Agrária (UNESP – Presidente Prudente);
NEADEC - Núcleo de Estudos e Pesquisas Agrárias sobre Desenvolvimento, Espaço e Conflitualidades (UFPA);
NUPOVOS - Núcleo de Defesa dos Direitos de Povos e Comunidades Tradicionais – (IFPR – Paranaguá);
Observatório da Questão Agrária no Paraná;
REDE DATALUTA;
TERRHA- Grupo de Estudos Sobre Território e Reprodução Social – (UFGD).

quarta-feira, 9 de outubro de 2019


Jornada da Questão Agrária é realizada na Unicentro/Campus Irati





Entre os dias 15 e 17 de agosto de 2019, a Unicentro/Campus de Irati sediou a sétima edição da Jornada de Pesquisas sobre a Questão Agrária no Paraná (JPQA), com o intuito de proporcionar um debate teórico em interlocução com os movimentos e sujeitos sociais do campo. O evento foi organizado pelo Coletivo de Estudos e Ações em Resistências Territoriais no Campo e na Cidade (CERESTA). 

A JPQA contou com a presença de representantes indígenas, de movimentos sociais e de organizações não-governamentais como: o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), Movimento Aprendizes da Sabedoria (MASA), AS-PTA Agricultura e Agroecologia.  O agricultor Luís Antônio Ribas (o Jagunço) do acampamento Mário Lago definiu que

o movimento busca conscientizar e busca várias formas de conhecimento para que as pessoas vão produzindo cada vez mais sem o agrotóxico, sem o veneno, porque o mal da sociedade, talvez, é a grande quantidade de veneno que as pessoas estão comendo. Para nós do MST, nós lutamos por três objetivos. Primeiro a luta pela terra, depois luta pela reforma agrária e construir uma sociedade justa, igualitária. Então, é nesse contexto de estar ajudando a construir uma nova sociedade, que a gente tem que ter uma relação pública com os diversos movimentos sociais, organizações, estudantes, professores e etc.

Um dos momentos voltados para compreender a questão agrária foi a conferência de abertura do professor Carlos Marés de Souza Filho, da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUC-PR).  Em sua conferência, o professor Marés fez uma contextualização da estrutura fundiária no Brasil.

A questão fundiária no Brasil é, desde 1500, o carro chefe das contradições, no sentido em que os europeus, principalmente os portugueses, quando chegaram aqui no Brasil, na América Latina, eles chegaram em busca dos produtos da terra. Então, a terra, já a partir daí, teve um papel essencial e, por isso, todos os impérios coloniais tentaram e conseguiram, na maior parte das vezes, um controle absoluto sobre a terra das Américas, em detrimento de quem estava nas Américas. As minhas pesquisas a respeito dos povos indígenas, dos povos afrodescendentes e de muitos outros povos que foram se formando no processo, têm na terra uma contradição principal, porque continua a mesma ideia, o mesmo liame colonial do controle absoluto da terra pelo Estado e continua havendo ainda hoje.

A Jornada de Pesquisas sobre a Questão Agrária no Paraná também abordou o Movimento Aprendizes da Sabedoria (MASA), a partir da pesquisa desenvolvida pela doutoranda Adriane Andrade, da Universidade Federal do Paraná (UFPR). Adriane defende que:

quem tem interesse nesses saberes populares, de conhecer um pouco mais sobre plantas, sobre ervas, existem também cartilhas que o professor também pode trabalhar isso em sala de aula. Eu acho que é muito isso – trabalhar junto, dialogando horizontalmente, não desmerecendo nenhum tipo de conhecimento, por ser conhecimento popular é menos importante do que o científico, não. É muito pelo contrário. A gente tem muito que dialogar e aprender com esses povos.

A contribuição de Adriane para o evento foi destacada pela estudante de Geografia da Unicentro, Rose Chagas, que participou das atividades da Jornada. Ela também pesquisa o MASA e seus saberes populares.

Me encantei com o trabalho, com o jeito que ela se dá com a pesquisa dela – com amor, com respeito e também para empoderar essas mulheres. É um trabalho de empoderamento. E eu me encantei – e foi o que me fez pensar ‘olha que legal, tem outra linha de pesquisa’ – não é somente dar aula e somente ficar na educação, dá pra fazer uma mistura com saberes populares, com cura e com tudo o que eu gosto.

Além de promover o intercâmbio de saberes entre pesquisadores e representantes de movimentos sociais, a JPQA no Paraná também contou com apresentação de pesquisas de estudantes e também teve trabalhos de campo. O professor Marcelo Barreto, um dos docentes da Unicentro envolvidos com a organização da Jornada, comemorou a vinda desse evento itinerante para o campus Irati e destacou a importância dele para refletir sobre a diversidade dos grupos sociais.